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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


28 fevereiro, 2008

Siro Darlan em prol da Mangueira

Fonte: Tudo de Samba

O Desembargador Siro Darlan, que foi Juiz da Vara da Infância e juventude durante muitos anos, enviou à assessoria de imprensa da Estação Primeira de Mangueira um artigo em defesa da importância cultural e social que a escola tem no desenvolvimento de projetos esportivos, culturais, educacionais, entre outros, na comunidade, onde lamenta que a mídia dê destaque somente ao noticiário policial, deixando os grandes feitos da escola de lado.


Leia o texto abaixo, na íntegra:

"Conheço a comunidade da Mangueira desde o tempo em que ainda Juiz da Vara da Infância e da Juventude fui procurado em meu gabinete pelo Professor Francisco de Carvalho e pela cantora Alcione que estavam preocupados com o assédio do tráfico aos meninos e meninas que freqüentavam a Vila Olímpica e os projetos da Mangueira do Amanhã.

Na ocasião montamos uma estratégia que consistia em levar ao Juizado todo jovem que estivesse em situação de risco para atendimento psicológico e uns aconselhamentos. A operação deu excelentes resultados porque os dois responsáveis, Chiquinho e Alcione, vigiavam e protegiam os jovens com muito carinho e dedicação, e o resultado foi que durante anos a comunidade com mais baixo índice se adolescentes infratores no Rio de Janeiro foi justamente a Mangueira.

Sempre sob o comando dos baluartes criados na própria comunidade em 1967, o Presidente Carlos Alberto Dória, Tia Alice, Tia Zica, Tia Neuma, e outros ícones da comunidade laboriosa fundaram a Vila Olímpica da Mangueira, exemplo inimitável de determinação no investimento social em favor de crianças e adolescentes. Logo surgiram os campeões em diversas modalidades esportivas e a ampliação do projeto com o apoio da iniciativa privada ocorreu naturalmente.

A consagração veio com o apoio de visitantes ilustres como o Ministro Pelé, que ao conhecer a Mangueira tentou reproduzir o sucesso plantando na Baixada Fluminense outras cinco Vilas Olímpicas, que não atingiram os objetivos desejados. O Presidente Bill Clinton foi apresentado ao projeto e ficou encantado como é praxe a todos que o conhece.

O projeto, antes voltado apenas para crianças e adolescentes, foi ampliado e hoje habitantes de todas as idades freqüentam os projetos. O CIEP Nação Mangueirense educa cidadãos e atletas que participam das maiores e mais importantes acontecimentos esportivos do país. Nas Olimpíadas Pan-americanas quase duas dezenas de atletas representaram o Brasil e ganharam medalhas.

A cada dois anos a mangueira realiza as "Olimpíadas" da Igualdade destinada a promover a inclusão social de portadores de necessidades especiais e em novembro de 2007 realizou a VIII versão coma presença dos campeões paraolímpicos Clodoaldo Silva, (7 medalhas de ouro e 1 de bronze) Mauro Vilarinho, Felipe e Sandro, todos medalhistas do Para Pan e ainda do Presidente do COB Carlos Arthur Nuzman que teve a participação de 27 instituições e 3000 atletas.

Ainda, no final do ano que passou o Projeto CAMP Mangueira que mantém cursos profissionalizantes para a comunidade formou 1200 jovens aptos para ingressarem no mercado de trabalho, o que repete anualmente há 18 anos.

Esses fatos de relevância social inquestionáveis, porém, não foram noticiados na grande mídia. Limitaram-se alguns profissionais da mídia a dar eco a surfistas da noticia que na busca de algum espaço nos jornais não pouparam sua imaginação para tentar apagar o brilho que a natureza criou no belo cenário da Mangueira. Primeiro foi uma autoridade militar que em busca de notoriedade eleitoreira inventou uma história de favorecimento aos comerciantes de drogas quando o objetivo da reivindicação da comunidade era que as ações policiais continuassem a matar inocentes e impedissem que crianças freqüentassem os projetos sociais e as escolas. Essa campanha gerou um forte desgaste nas lideranças do bem que procuram investir na comunidade para evitar que a ausência do poder público permita o domínio do poder dos criminosos.

Mais recentemente, outra vez uma autoridade policial, que tem o dever de primeiro investigar sigilosamente os fatos para entregar ao Ministério Público. E este sim, diante das provas de existência de crimes, e ainda sem o alarde habitual, levar ao Judiciário para que diante do princípio ao devido processo legal, sejam apuradas as responsabilidades e punidos os agentes criminosos. Contudo o que fez o responsável pelas investigações? Subiu nessa árvore frondosa e que, como diz a Presidente Chininha, "verga mais não quebra" e para ter seus 15 segundos de fama espalhou noticias tentando envolver pessoas sérias e íntegras da comunidade, mais uma vez na tentativa de desestabilizar o trabalho sério e cidadão que de forma exemplar se produz na Mangueira.

Mangueira, como toda árvore, produz os melhores frutos de alegria, de cultura, de gente humilde e valorosa, poesias de Cartola, força da voz de Jamelão, cidadania de Tia Alice e Delegado, exemplos de Chiquinho e Alcione e fãs de peso como Chico Buarque, Braguinha, Caetano, Gal e Gil, também pode ter frutos podres que logo são extirpados e nem por isso contaminam o tronco.

Por isso Mangueira, "teu cenário continua sendo uma beleza que a natureza criou". E hoje não és mais reconhecida apenas "pelos sons e de seus tambores e rufar de seus tamborins", és acima de tudo exemplo de pomar de cidadania e respeito. Só quem conhece o sabor de teus frutos e a garra dessa gente sabe que ainda serás reconhecida como a verdadeira árvore frondosa que alimenta a cultura popular brasileira com os mais brilhantes acordes que saem de seus instrumentos mais, sobretudo do suor e da grandeza de teu povo".

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