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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


19 março, 2008

Alcione lota o Teatro Trianon em Campos dos Goytacazes/RJ

Por Elis Regina Nuffer
Foto:Hugo Prates

Considerada a maior sambista do Brasil, a cantora Alcione mostrou a força da sua voz ao entrar no palco do Teatro Municipal Trianon, na noite desta terça-feira, 18, cantando sozinha, sem o acompanhamento de um instrumento sequer. Cada verso de sua música ecoava no teatro e enchia o ar poderosamente, deixando arrepiada a platéia que lotou as cadeiras do Trianon para ver, ouvir e aplaudir a “Marrom”.
Alcione começou o show pontualmente às 21h e entrou esfuziante, num conjunto preto e prata de calça e bata, cantando “Minha estranha loucura”. Um foco de luz no palco mostrava a emoção da cantora com os aplausos com que foi recepcionada pelo público diversificado que cantava junto alguns refrões e gritava “adorável”, “maravilhosa”, “te amo”.

Após a primeira música cantando sozinha, Alcione cumprimentou a platéia e, a partir desse momento, entraram em cena os dos únicos integrantes de sua banda – um percussionista e um tecladista – e ela falou de paz. “Violência está fora, ser violento nunca vai estar na moda. Esta canção que vou cantar agora, abrindo oficialmente o meu show, é uma homenagem a Maria da Penha, a lei e a mulher que deu origem a ela. Maria da Penha recebeu R$ 60 mil do governo do Ceará de indenização e é um exemplo da força feminina neste país. A letra desta música foi baseada na sua história e na lei. Não podemos mais nos calar diante da violência”, acrescentou.

Antes de começar a música, a sambista destacou parte da letra: “... Se me der um tapa, da dona Maria da Penha você não escapa...”. Em seguida, Alcione lembrou que a lei é também para o filho que agride a mãe e dedicou o show aos fãs presentes. Ela falou do respeito que deve existir entre as pessoas e nas famílias e contou que é do tempo em que os filhos respeitavam os pais só com um “pigarro”. Foi mais de uma hora de canções e canções, antigas e novas como a já citada “Maria da Penha” do atual cd de trabalho, “De Tudo que eu Gosto”.
Nascida Alcione Nazareth, a sambista contou ao público que chegou ao Rio de Janeiro em 1968, levando nas “tralhas” a vontade de conhecer primeiro o Cristo Redentor. A trajetória na cidade maravilhosa começou trabalhando numa loja de discos e o sonho estava apenas começando. “Ao ver o Cristo, passei abaixadinha para Ele não me ver cheia de tralha, porque eu era mais uma nordestina chegando à cidade maravilhosa para tentar resolver a vida. Mas Ele não só me viu como me atirou nos braços do povo deste país e colocou pessoas certas no meu caminho”, destacou.

Em 1977 era lançado o disco “Pra que Chorar”, composição de Baden Powel e Vinícius de Moraes, que rendeu 400 mil cópias vendidas e consagrou Alcione como cantora nacionalmente conhecida. Nascia definitivamente a Marrom, brasileira de São Luís, capital do Maranhão, mulher e guerreira, como se define.

Foi nesse tom de canções e estórias que o público curtiu a sambista do início ao fim no Trianon. Quem foi reviveu ainda canções como “Sufoco”, “Gostoso Veneno” e “Louco Amor”. A Marrom mais uma vez provou que o gosto pela música está no sangue. O pai foi maestro da banda da Polícia Militar em sua terra natal e Alcione Nazareth fazia questão de acompanhá-lo nos eventos. Agora, ela comanda espetáculos por onde passa e nesta terça-feira quando o show acabou e a luz do Trianon apagou, o público saiu do teatro com vontade de continuar.

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