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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


29 maio, 2008

Resenha Crítica: Prêmio Tim


Por Glauber de Andrade

Alcione se torna pentacampeão na premiação Tim, o prêmio mais importante da música brasileira atualmente. A categoria samba lhe confere o título de melhor por cinco vezes, num país onde dizem ser o país do samba. Alcione, ironicamente, não acha que o Brasil seja o país do samba apenas. Acha que outros segmentos são também relevantes, por isso não os despreza em sua discografia, a exemplo do forró e toadas que são naturais de sua região: o nordeste.
E num país onde há inúmeras cantoras que cantam samba, há um grupo que julga o prêmio tantas vezes dado a mesma cantora, incoerente.

A frase "É marmelada!" podia ser ouvida já desde a terceira premiação, quando Alcione repetiu o feito consecutivamente e no ano seguinte, o fez pela quarta vez.
Ano passado "perdeu, perdeu" apenas para uma cantora que também não se dedica somente ao samba.
E a crítica e os fãs de cantoras que cantam samba e cantoras que se dedicam exclusivamente ao samba começam a dizer que é uma injustiça a premiação da Marrom.
A palavra injustiça remete a algo que não é justo, algo errado, algo mal julgado, mal analisado, coisa que não acontece aqui.

Num país onde o samba foi tão perseguido pela elite que hoje o aclama (as coisas mudam), um grupo de cantoras vêm quebrando suas cabeças apurando um repertório que possui autoria elitizada e afamada e dedicando um disco inteiro ao segmento, tentando assim, dar a entender que o amam de todo o coração. O que até pode ser verdade, mas se limitam num espaço que poderia ser muito melhor aproveitado - a musica brasileira que é vasta. Mas cada um na sua.
Alcione poderia até não ganhar e pode até, futuramente, deixar de ganhar...mas injustiça seria não reconhecerem que Alcione não precisa nem de um repertório tão elitizado e nem de um disco inteiro, apenas com dois ou três sambas de compositores nem tão conhecidos, Alcione mostra como se faz samba. Por isso, pura e simplesmente, o prêmio é justo.

Obs: Se Alcione deixar de ganhar o prêmio por intriga da crítica, não tem problema...ela já é hours concours!

Em 2003 ganhou pelos seguintes sambas gravados em 2002:

Sufoco/O Surdo
Entidade
Novo Endereço
Jorge de Capdocia/Take it easy my Brother Charles/Bebete, vãobora/Chove Chuva/Que Maravilha/Cade Teresa
Menino sem Juizo/Garoto Maroto
Brazil com Z é pra Cabra da Peste e Brasil com s é pra Nação do Nordeste

Em 2004 ganhou pelos seguintes sambas gravados em 2003:

Não deixe o samba Morrer
Pandeiro é Meu Nome
A Profecia/A Volta da Gafieira/ Vendaval da Vida
Retalhos de Cetim
Gostoso Veneno
Serei sempre Tua
Cajueiro Velho
Os Dez Mandamentos - O Samba da Paz canta a saga da liberdade
As Rosas Não Falam

Em 2005 ganhou pelos seguintes sambas gravados em 2004:

É o amor
Na mesma Proporção
Primo do Jazz
A que mais deixa saudade
Razão e Nostalgia

Em 2006 ganhou pelos seguintes sambas gravados em 2005:

O Samba vai Balançar
Corpo Fechado
Meu Ébano
Umas e Outras
Xequeré
Pedra 90

Em 2008 ganhou pelos seguintes sambas gravados em 2007:

Mangueira é Mãe
Maria da Penha
Laguidibá
Luz do Nosso Amor
Eu te Procuro
300 Anos

Em tempo: Nem são só dois ou três sambas...pelo menos cinco por ano...mas só dois já são o suficiente pra saber que é a melhor sambista.

2 comentários:

  1. Quando eu leio algo desse tipo, fico sempre a me defrontar com uma contradição tamanha. Vou explicar!

    Nós, seres humanos, temos uma forma de pensar que é por natureza classificatória. Parece que nossa cabeça tem a estrutura de uma espécie de armarinho, onde inúmeras gavetas se dispõem à espera de objetos que se encaixem de acordo com determinadas características. Esse processo é, diga-se de passagem, parte do processo de raciocínio. Tendemos a agrupar coisas parecidas e criar seqüências, tudo dentro de uma lógica de causa e efeito, como dita a física clássica. Então, vem a contradição:

    Existe uma elite do samba de raiz que diz que Alcione não defende mais com louvor a bandeira do samba, e que se tornou muito mais uma cantora romântico-popular. Neste patamar, ela dividiria o posto com cantores do mesmo segmento, que são marginalizados já pela escolha do gênero, que é considerado inferior e de gosto duvidoso. Está, para essa vertente, no mesmo nível de cantores como Belo, José Augusto, Sandy & Júnior, Fábio Júnior... etc. Leia-se: “Deus livre meu ouvido dessa gente!”

    Entretanto, na cabeça das pessoas em geral (talvez não mais no caso destes intelectuais da música, é claro), Alcione está intimamente ligada ao samba, sua imagem está fortemente associada ao gênero, e prova disso é que jamais se questiona na hora de lhe atribuir uma categoria. Por esta vertente, se pensaria em Alcione como se pensa em Beth, em Dona Yvone, em Fundo de Quintal, Leci, Jorge Aragão e outros.

    Apesar disso, quem acompanha seu trabalho, sabe que ela passeia com maestria por todos os gêneros, tendo já gravado a maioria deles e com os mais variados segmentos da nossa vasta mpb. Ou seja: Alcione está mais para física quântica do que para física clássica.

    Mas é lógico, que para um bom entendedor fica claro que a indicação em seis anos consecutivos numa premiação, que como Glauber diz, é o que se tem de maior em nossa música, numa categoria dita de samba, só nos anuncia que há ainda gente que sabe, e sabe porque tem ouvidos para ouvir, que Alcione nunca deixou de cantar o bom samba. Isso é óbvio! Embora a trajetória que ela trace é sempre imprevisível tanto no repertório quanto na forma de interpretá-lo, e isso porque tem talento e trabalha com a música e com sua própria musicalidade como quem brinca. E o melhor: se diverte com isso!

    E mais: as pessoas que criticam a credibilidade do prêmio em razão da permanência da cantora em todas as edições se escora, e muito, na também crítica já tão malhada quanto ao repertório dela. Mas esquecem que a categoria em que ela reina absoluta se dispõe a avaliar a cantora em si, a sua performance, sua interpretação do samba, seja ele qual for. O disco (e aqui se inclui a escolha do repertório, arranjos, produção e etc) tem outra categoria onde é julgada sua qualidade. A Marrom, que já era talentosa em “A Voz do Samba”, só ganhou com o tempo. Amadureceu sua voz e sua técnica e nos brinda hoje com o supra-sumo da interpretação em qualquer estilo musical.

    Disso tudo, eu só posso concluir uma única coisa: Se ainda há dúvidas de que Alcione manda um samba como ninguém, eis o Prêmio Tim para confirmar a todos! Alcione é, de fato, a melhor cantora de samba dos últimos tempos! Mas ela manda bem também um forró, um clássico do cancioneiro internacional, uma toada, um bolero, uma salsa, uma romântica a lá dor de corno... mas aí sim, seria muita marmelada!

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  2. Quanto capricho nesse blog, Joelma!

    Parabéns pelo belo trabalho.

    Glauber

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