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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


21 junho, 2008

Show em Curitiba



Alcione, sambista maranhense, deu um verdadeiro show nesta quinta-feira (19) no Teatro Positivo. Executando com a maestria de sempre músicas do seu último trabalho “De tudo que eu gosto”, a Marrom soltou sua voz e encantou. Deixou de fora alguns dos seus maiores sucessos, mas deu um banho de simpatia durante a apresentação, além de uma aula de canto única.

O show começou com apenas cinco minutos de atraso. Luzes apagadas, cortinas fechadas e um leve toque no microfone. De repente a voz – sem imagem, só voz e cortina vermelha - inunda o teatro. “Quando o sol se derramar em toda a sua essência. Desafiando o poder da ciência para combater o mal”. Os primeiros versos da música “As forças da natureza” (título perfeito para identificar a voz de Alcione) encantaram platéia.

Logo de cara, após os respeitosos cumprimentos, a maranhense Alcione relembrou o já saudoso Jamelão (mestre “Jamela” para ela e os mais íntimos). “Um manto verde e rosa é a paixão, do nosso eterno mestre Jamelão”. "Pedra 90", de beleza singela e cativante, pareceu fechar com chave de ouro a passagem do eterno sambista da Mangueira pela vida.

O público finalmente entrou na festa ao primeiro acorde de “Estranha Loucura”. Verso por verso, com o apoio constante da platéia, Alcione conduziu o show com simpatia e bom humor. “Sufoco” e “Surdo”, cantadas numa espécie de mini pot-pourri (da mesma forma que é executada em seu CD ao vivo de 2002), deram um tempero especial a apresentação.

Em “Maria da Penha” (canção composta em homenagem à lei Maria da Penha, que protege mulheres vítimas de violência doméstica) Alcione driblou a seriedade do tema com bom humor: “Depois dessa música, tá chovendo homem nas delegacias pra dizer que tomou surra da patroa”. A música, de letra engraçada e animada, arrancou risos da platéia.

“Faz uma loucura por mim” e “Loba” chamaram novamente o coro do público, que acompanhou as duas canções com entusiasmo.

“De tudo que eu gosto” é o nome do último trabalho de Alcione e o show seguiu exatamente nesta linha. Homenagens para as cantoras Núbia Lafayete e Elza Soares, aos músicos e cantores Zeca Baleiro e Arlindo Cruz também fizeram parte do repertório.

Um dos momentos mais deliciosos foi a homenagem ao mestre sambista Cartola, que em 2008 completaria 100 anos. Alcione saiu de cena e ofereceu ao público alguns minutos de som instrumental da sua excelente banda, em reverência ao sambista magueirense.

Para o delírio dos fãs, Alcione voltou de um breve intervalo musical de roupa nova e ainda mais gás. Com a música “Meu Ébano” a Marrom terminou de conquistar a platéia, que não levantou da poltrona, mas que sentada sambava engraçado batendo os pés no chão. Em “Solo de Piston” Alcione mostrou seu talento como instrumentista. Manuseando um piston, ela soltou o ar dos pulmões (cura para uma asma de infância, segundo ela) e encantou.

Gonzaguinha também ganhou uma homenagem. A interpretação de "Explode Coração" foi soberba, deliciosa e não carece de mais explicações, afinal a letra fala por si só.

“Não deixa o samba morrer” foi a penúltima música da noite e deu seu recado. O coro do público falou por si só. “Obrigada” fechou o espetáculo e apresentou em uma letra inteligente o resumo da carreira de Alcione: “Obrigada meu Deus, pelos casos de amor que eu já fiz começar. E das brigas sofridas de dor que eu também ajudei a curar. Pelo povo que segue comigo. O amigo que vai onde estou pra me ver cantar”.

Gentilmente Alcione saudou os fãs que chegaram junto ao palco, cumprimentou alguns e chegou até a puxar uma criança para o palco e lhe deu um caloroso abraço.

Fonte: Gazeta do Povo

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