Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


27 outubro, 2008

Alcione Solta a Voz


Fonte: O Liberal On Line

Ela é simplesmente irrestível. A maranhense e sambista de fé Alcione mostra hoje, no Hangar - Centro de Convenções da Amazônia, por que é uma das principais cantoras do Brasil e uma unanimidade nacional no samba, há 36 anos. Como ela mesmo diz, já perdeu a conta do tempo que faz sem se apresentar em Belém. Mas isso serve só para estimular ainda mais a diva para esse reencontro com os inúmeros fãs paraenses. 'Eu vou matar a minha saudade de Belém, e de com força, vou cantar muito, eu quero uma coisa bonita aí, em Belém', declarou, por telefone, a Marrom, do Rio de Janeiro, onde mora. 'O que nos separa (paraenses e maranhenses) é só o rio Gurupi', brinca a cantora, que mostra ao Brasil o show baseado no CD mais recente 'De tudo o que eu gosto', com um passeio obrigatório por sucessos como 'Meu Ébano', 'Não deixe o samba morrer', 'Faz uma loucura por mim', 'A Loba', 'Você me vira a cabeça', 'Qualquer dia desses', 'Nem Morta', 'Rio Antigo', 'Sufoco', Gostoso Veneno' e 'Garoto Maroto'.
Com uma voz inconfundível ela ataca em baladas com todo um suingue particular até em sambas-enredo, passando por sambas-canção, duetos com artistas nacionais e sucesso no exterior. Desde o começo de sua carreira, na década de 70, Alcione sempre teve um posicionamento: cantar a música brasileira como missão, principalmente o samba. Desde então, ela dialoga com artistas nacionais de gerações variadas, como Falcão, do grupo O Rappa, Exaltasamba, Maria Bethânia, Djavan, Zeca Pagodinho, Caetano Veloso, Cássia Eller, e Gonzaguinha. 'Eu entendo que a minha missão é cantar, e isso eu levo muito a sério'. Com esse lema, Alcione chega para animar a festa comemorativa do Dia do Servidor Público Estadual do Governo do Estado. 'Eu me lembro da Basílica de Nazaré, do Círio, eu nunca fui ao Círio mas é uma referência. Eu conheco o Pinduca porque ele grava carimbó, o Beto Barbosa e, é claro, da Fafá de Belém'.

O show no Hangar vai ser completo, com direito a banda que acompanha a cantora nas apresentações pelo Brasil, e deverá mostrar umas 24 canções, fora o desde já bis da platéia.

SENSIBILIDADE

'Esses anos de carreira eu encaro com humildade, penso que é uma resposta de Deus, que sempre me ajudou e agradeço muito ao Rio de Janeiro que é a minha segunda casa, porque o meu umbigo está em São Luís, no Maranhão'.

O começo da carreira também não foi fácil para Alcione, mas ela acredita que estava escrito nas estrelas que seria cantora, claro que com muito trabalho. 'Eu me envolvi com o mundo do samba no Rio de Janeiro, quando eu conheci o Bira, relações públicas da Mangueira, que me apresentou para o pessoal da escola de samba, e aí eu fui conhecendo as pessoas, o Candeia, por exemplo'.
Alcione contou ter estranhado o fato de que tudo no Rio de Janeiro ser grande, como a quantidade de pessoas em uma escola de samba. 'Na minha escola no Maranhão, A Turma do Quinto, na época tinha 100 brincantes, e aí no Rio uma escola tem 4.500 brincantes'.

A Marrom lembrou que começou a carreira em disco na mesma época, anos 70, com Fafá de Belém, Emílio Santiago e Djavan - ela cheogu a se apresentar na mesma casa noturna 'Number One' em que Emílio e Djavan faziam shows. Alcione gravou o primeiro disco 'A Voz do Samba', e com ele já ganhou o primeiro disco de ouro. Até hoje, são 27 discos de ouro e cinco de platina, entre os quais dois duplos de platina. Na década de 70, por dois anos Alcione morou na Europa, e conferiu de perto a força do samba abrindo fronteiras para platéias que nada sabiam desse gênero musical.

Para Alcione gravar uma música, só existe um critério: 'Eu ouço e tenho que me apaixonar logo pela música, ou eu gosto ou não gosto'. Critério esse que vale para o público com relação ao trabalho dela, e ao longo da carreira da cantora as canções têm agradado de pronto, prova de que a sensibilidade da intérprete é mesmo à flor da pele. Alcione toca piston e cuida com muito carinho da voz, evitando sorvetes e ar-condicionado, por exemplo. Para essa intérprete, a música tem que falar ao coração, tem que emocionar. 'Quando eu ouço ou canto ‘Autonomia’, do Cartola, ‘Rio Antigo’, de Chico Anysio e Nonato Buzar e ‘Cajueiro Velho’, do meu pai João Carlos, eu me pergunto em que estado de espírito essas pessoas, esses compositores, se encontravam para fazer canções tão belas'. Nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, Alcione fará show no Canecão, no Rio. 'O cantor brasileiro tem que cantar tudo, porque a música brasileira é a mais rica do mundo. Eu gosto de cantar samba, reggae, gosto de blues, bumba meu boi, um partido alto, pagode e baladas'.

Alcione entende o samba como 'uma coisa tão especial que só nós, brasileiros, sabemos fazer'. Ele mencionou que a maior festa quem faz são os brasileiros. A cantora foi recepcionada no porto de uma cidade na Finlândia por uma orquestra, formada por 'triloiros'. Alcione comemora o fato de existirem escolas de samba na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos. Sobre como encara a vida, Alcione disse que aprendeu que 'nem todo mal é mal, do mal se tira um aprendizado', e ainda que se deve tomar cuidado com o que se quer muito, porque muitas vezes quando isso se concretiza pode fazer mal para a pessoa. De bem com a vida em todos os sentidos, consagrada como uma grande intérprete da cultura musical brasileira, Alcione subirá ao palco do Hangar com toda uma história de ritmos e espontaneidade para contar. 'Me aguarde!', adiantou ela para quem for conferir o show da Marrom.


Serviço: Show com a cantora Alcione, hoje à noite, no Hangar - Centro de Convenções da Amazônia, na avenida Dr. Freitas com a Duque de Caixas, a partir das 19 horas. Os ingressos foram retirados na quinta e sexta-feira pelos servidores públicos estaduais, na Escola de Governo do Pará. Haverá sorteio de brindes. O show é uma iniciativa do Governo do Estado, envolvendo a EGPA, Banpará, Secult e Hangar.

Um comentário:

  1. A Marrom, com certeza arrasou no Pará. Só estou esperando o quando que ela vai vir aqui pra Recife,a capital de Pernambbuco te espera, tia!!!!!!!!1

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