Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


04 dezembro, 2008

Alcione encanta no último Extra Aplaude

Fonte: O Extra On Line

A vinda de Alcione à sede do jornal nesta quarta-feira, para mais uma edição do Extra Aplaude, provou uma coisa: ela é uma das artistas mais populares do Brasil. O auditório ficou lotado, o público vibrava a cada tirada da Marrom e curtia pra valer as músicas.

Mas tanta popularidade não foi fácil conquistar. Alcione foi muito inteligente na condução de sua carreira e concentrou todos os seus esforços num objetivo: agradar seu público. Para isso, contrariou muita gente... Alguns empresários que administraram sua carreira. Uma turma do samba que achava que ela devia se concentrar apenas no gênero. E, especialmente, a crítica musical, que por muitas vezes caiu de pau sobre seus discos, por apostar muito no som romântico.



Esse sempre foi um dos grandes dilemas da carreira de Alcione. Grande parte de seus sucessos (aqueles que lhe deram prestígio) estão ligados ao samba mais "de raiz", como "Garoto maroto", "Gostoso veneno", "Sufoco" e, especialmente, "Não deixe o samba morrer", que virou um hino para os sambistas. Mas ela sempre teve um pé (os dois, na verdade) nas canções "dor-de-cotovelo", nos temas de amor, na chamada música de fossa. Nesta linha, conseguiu emplacar nas paradas hits como "A loba", "Nem morta", "Estranha loucura", "Faz uma loucura por mim". E foi esse um dos segredos de sua carreira sólida, de mais de 35 anos de estrada (sendo que na última década é uma das maiores vendedoras de disco do Brasil): transitar nos dois mundos, à vontade, dosando bem as duas praias.



Dona de uma das vozes mais potentes da música brasileira, Alcione canta em inglês, francês, espanhol e italiano, fluentemente. Ela conta que já cantou até em russo. Toca trompete e tem uma musicalidade muito própria, uma marca forte. Não é à toa que é muito imitada por humoristas e por cantores novatos. Só consegue isso quem tem sua própria personalidade no palco. Além disso, ainda toca trompete. Muitos dizem que, se fosse americana, poderia ser uma diva do jazz... Mas Alcione nunca quis isso. Sempre teve ligação estreita com o restante da MPB. Maria Bethânia participou de um disco seu em 1984, e desde então as duas têm uma forte ligação musical. Em um CD seu de 1998, cantou ao lado de Djavan, Ed Motta e Cássia Eller, entre outros. Recentemente, foi uma das convidadas do especial de Natal de Roberto Carlos. Isso mostra que a Marrom roda por todas as praias e é respeitada pelos colegas de profissão.



Com tudo isso, poderia se centrar apenas no samba, que, como já dissemos, dá mais prestígio junto à classe e à crítica. Mas Alcione nunca se preocupou com isso. Sua meta é vender muitos discos, fazer muitos shows e continuar agradando a seu imenso público. Ao analisar a discografia recente dela, dá pra ter uma noção de como ela dosa bem esses dois lados: seus últimos sucessos foram "Perdeu, perdeu" (mais dor-de-cotovelo impossível) e "Meu ébano" (um sambão ótimo pra dizer no pé).



Isso é a Marrom. Uma cantora difícil de definir musicalmente. Nunca foi tão ligada à turma do samba, atualmente formada em sua maioria pelos freqüentadores das rodas do Cacique de Ramos, como Zeca, Beth, Aragão, Arlindo. Embora troque figurinhas com eles, não é ligada ao Cacique, é apenas uma prima distante. Em contrapartida, também nunca foi identificada com cantoras românticas, como Joanna e Fafá de Belém, por exemplo. Com isso, conseguiu se livrar da pecha de cafona.

Sem ligação com o Cacique de Ramos, sua conexão com o samba se dá basicamente através da Estação Primeira de Mangueira. E lá ela é rainha. Alcione sempre foi a artista que mais ajudou a verde-e-rosa: onde a escola precisasse, lá estaria ela. Desde que chegou ao Rio, vinda do Maranhão, ela já fez de tudo ali dentro: fundou a escola mirim Mangueira do Amanhã, já fez show de graça para a Mangueira em tudo que é lugar e até puxou o samba da escola na Avenida. Em compensação, raramente pede algo em troca. Daí vem a gratidão que os mangueirenses têm com a Marrom.



No encontro de Alcione com os leitores do Extra, deu pra entender um pouco porque ela é tão popular, e muitas das explicações passam por essa condução da carreira de que estamos falando. Mas uma das características mais importantes nisso tudo ficou bem clara no auditório do jornal: ela fala a linguagem do povo. Se comunica bem, é divertida, conversa de igual pra igual e não tem papas na língua. É difícil não gostar de Alcione. O público sabe muito bem disso.

Sem papas na língua - e cheia de bom humor -, Alcione cantou e contou sua trajetória de sucesso ontem à tarde no jornal, onde rolou o último EXTRA Aplaude do ano. De frente para cerca de 300 pessoas, a cantora entoou sucessos como "Meu ébano" e falou de tudo um pouco, sempre com boas tiradas.

- Certa vez, num show em Olaria, eu subi no palco e um cara começou a gritar: "Piranha!". Isso diversas vezes, e eu quieta. Até que eu falei: "Gente, enquanto esse moço não encontrar a mãe dele eu não começo o show" - lembrou ela, arrancando risadas de todos.

Até Barack Obama foi assunto para o bate-papo.
- Se tem um negão de tirar o chapéu por aí, ele se chama Barack Obama.

A política carioca também teve espaço na conversa.
- Não tenho nenhuma implicância com o (Eduardo) Paes, não. Acho, sim, que ele vai ser um bom prefeito. Mas eu quis votar no Gabeira - disse.

A Mangueira, escola de coração, não ficou de fora.
- Tive meu primeiro contato com a escola ainda no Maranhão. Quando vi aquele verde e rosa, achei a minha cara - disse ela, que assume não ser das mais discretas.

Sobre Cartola, Alcione defendeu um possível enredo para a Mangueira:
- A escola deveria entrar de cabeça em seu centenário.

Sobrou papo até para falar sobre sua relação com Beth Carvalho, tida por muitos como rival de Alcione.
- Isso aí é briga de cachorro grande, é coisa da Beth com a Mangueira. Deixa que eles se entendem - disse ela, respondendo ao leitor que perguntou o que ela achou do episódio da escola com a ruiva, no carnaval do ano passado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário