Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


31 janeiro, 2009

Segundo dia no Rival


Por Ricardo Erse

Nem a chuvinha fina que caía minutos antes do show, nem o trânsito caótico do centro do Rio desanimaram o fiel público de Lady Brown: a rua do teatro Rival já estava movimentada desde às 18h30min. Na bilheteria, uma fila de pessoas tentando arranjar alguma "vaga de sobra".

Como de praxe, abriram-se as cortinas com quinze minutos de atraso. Atraso nada, um tempo suficiente para aumentar a adrenalina das quinhentas pessoas que lotavam a casa.
Abre o pano. Lá está ela: juba de leão, cabelo elogiado por uma fã, que disse que amanhã mesmo faria um igual. O traje preto, com muitos reflexos em ouro. O batom vermelho para ressaltar a sensualidade da raça. Junto com a diva, a insubstituível Banda do Sol - sem Maria Helena, lamentavelmente. Mas o maestro Alexandre fez as honras no coro. Além dele, Alvinho, Luizão, Penco, Ricardinho e o baterista "munheca de ouro".

O ambiente esquentou, ao som dos tamborins e do coro "Mangueira é uma mãe". Cumprimentou a platéia. Marrom estava em casa. Disse já estar sentindo saudades do palco do Rival. Solta, espirituosa, esquivava-se das cantadas dos mais ardorosos, a toda hora, lembrando: "O corpinho não está no pacote, não". A turma vinha abaixo!

Do último trabalho, cantou "Perdeu, perdeu" e "Maria da Penha". Todos riram com os causos de Alcione, quando ela contou uma tragicomédia de um casal do Maranhão em que a mulher apanhava do marido, mas estão juntos até hoje. Ela própria, Marrom, disse que jamais toleraria isso. Que teve poucos amores e todos duraram muito. Mas que tudo na santa paz...

De outros carnavais, vieram músicas de sucesso. Quando ela ia cantar um já consagrado, dizia: “Acho que vocês querem cantar comigo". E aí vieram vários: "Queda de braço", "Faz uma loucura por mim", "Corpo fechado". Aliás, Telma, a compositora da música estava presente. Aproveitando o ensejo, a Marrom deu uma palinha da nova música da mesma compositora; a gravação do novo disco será agora em Março. Na mesa de Telma, estava a pessoa que fez a inscrição da Marrom no programa que a lançou: "A grande chance", de “Flávio Cavalcanti".

Marrom também elogiou Obama, além de dizer que ele é um gato. Louvou o fato de hoje, o Presidente dos EUA ter determinado que não mais haverá diferença salarial entre homens e mulheres. Passando para a realidade local, disse confiar no novo Governador do Rio, dizendo que se trata de um homem que ama a cidade, tanto quanto ela. Alcione disse que a Cidade Maravilhosa a acolheu e que fica "p. da vida" quando alguém fala mal desta terra. Assim, cantou a "oração" Rio Antigo.

O sobrinho e não menos talentoso Jefferson Júnior cantou Ivan Lins enquanto nossa diva trocava o figurino, e, na segunda música, fez uma dobradinha com a tia. Garoto promissor este. Deus guie os passos do menino, como já fez com a tia que reafirmou: “Tenho muito mais a agradecer do que a pedir!!!"

Dos velhos sucessos, cantados em coro, vieram "Garoto Maroto", A "Entidade" baixou mais uma vez, nessa "Loba". Aliás, Marrom disse que se identifica com algumas partes dessa música, mas com outras não. Como escorpiana, ela disse que jamais teria a coragem de "arranjar um outro amor só pra se distrair". Entendo bem disso e endosso, como escorpiano que sou também.

"Estranha loucura" é, com certeza, uma música que já fez muita gente se aderir ao "Faz uma loucura por mim". De cortar os pulsos, vieram as homenagens a duas grandes mulheres da MPB: Núbia Lafaiete e Clara Nunes. Núbia, a Marrom sempre elogia e diz ter sido a sua inspiração: "Eu sempre quis ser Núbia Lafaiete". Lembrou também Clara Nunes, a mineira "filha de Ogum com Iansã". Disse que, quando gravou o álbum "Claridade”, teve dificuldade em escolher dentre tantas pérolas de Clara.

Do repertório próprio, arrancou aplausos com "Qualquer dia desses". Não deixou de pedir, como sempre faz, que Alvinho fizesse a introdução de "Você me vira a cabeça".
Fez uma homenagem a Zeca Pagodinho, que está internado em função de uma pneumonia. Mas disse que o colega, gente da melhor qualidade - não um qualquer - está bem e sai do hospital na segunda. Disse também que mandou um carregamento de mastruz para ajudar na cura total desse bom caráter do samba.

Por fim, apresentou a banda, dizendo que vai com o talento dos músicos brasileiros a qualquer lugar do mundo e relembrou a música que a consagrou: "Não deixe o samba morrer".

E a despedida chegou: era a vez de deixar o tom da professora Alcione. A lição de vida, sempre reafirmada, do louvor a Deus, às coisas do alto, aos santos, aos orixás... respeitando a diversidade desse povo brasileiro. E nos lembrando a necessidade de sempre agradecer a quem nos dá oportunidade na vida. Assim, ela encerrou, cantando "Obrigada". Obrigado dizemos nós, seus fãs, por ela nos dar oportunidade de viver momentos de paz interior e felicidade.

As cortinas se fecharam, mas a vontade do povo não. MAIS UM, MAIS UM, MAIS UM...E veio mais uma: "Ou ela ou eu". Quanto a mim, não tenho dúvida: ALCIONE SEMPRE!!!

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