Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


15 março, 2009

Show da Alcione no HSBC Brasil, em Sampa.


Sexta-feira, treze!
Dizem que em dias como este os bichos e as bruxas andam soltos. Péssimo ensejo para se arriscar qualquer tipo de empreitada, aconselham os mais supersticiosos. Mas a bruxa da noite era uma bruxa do bem, que leva a vida meio à toa, enfeitiçando os corações mais sensíveis. Paixão, amizade, desafio. Os ingredientes perfeitos de uma poção.O dia pedia, e não pude recusar o convite.

Às vezes, as melhores coisas acontecem quando não há planejamento algum. Foi o que aconteceu dessa vez. Desde o último show de Alcione em Porto Alegre, quando o Marão se tocou de São Luís do Maranhão só para assistir um show da nossa negona ao meu lado, que carrego esta dívida de retribuição. E apesar de já havermos pensado na possibilidade de marcarmos este encontro para o dia 13, algumas circunstâncias já haviam me alertado que ficaria para uma próxima vez... isso se não fosse o acaso... Depois de uma ligação dele, ainda cedo da manhã, consultei sobre os vôos e a resposta deu o tom do feitiço que teria a noite.

Cheguei na capital paulista e fui direto ao HSBC Brasil, onde encontrei com Marão. No salão de entrada tive a alegria de conhecer os amigos Alex e Fábio. Conversamos rapidamente e procuramos nossos lugares às mesas. Algumas pessoas reconheceram eu e o Marão por conta das camisetas do fã-clube. Nos parabenizaram pelo trabalho que fazemos através do blog. Nada mais gratificante que isso. No final do show ainda pude dar um beijo em Douglas, outro amigo querido do blog! Pena que foi tudo tão rápido!


Além de estar na companhia de um grande amigo, Marão, tive ainda o prazer de dividir a mesa com Antônia da Graça, amiga de infância de Alcione, e com os pais de Marão, Carlos e Roberta, que, aliás, me receberam com o maior carinho.

Foram uns quinze minutos de atraso. A lua era cheia, atrás de uma chuva fininha. Mas, na casa, era o calor de uma voz por trás de uma cortina que começava a esquentar. “Se não existisse o sol” abriu o espetáculo, trazendo uma Marrom com “M” maiúsculo de Maranhão. Em seguida veio “Forças da natureza”, “A Loba”, e mais para frente a balada “Perdeu, perdeu” , “Maria da penha” e “Mangueira é mãe”. Até aí, tudo previsível. Mas como num toque de mágica, bem aos caprichos desta feiticeira, “De tudo que eu gosto” mudou de sabor. O show de encerramento lembrou delicadamente as apresentações que marcaram esta turnê.

Cantou "Não pense em mim" de Gilson e Carlos Colla e reverenciou Altay Veloso com o estilo que lhe é próprio, interpretando a toda emoção “Quando o amor bateu à porta”, que confidenciou ter guardado durante quatro anos para gravar neste último disco.

E as homenagens rendidas por esta que é rainha na arte do samba, não pararam por aí. Alcione conheceu o grande mestre Candeia através de Roberto Santana, seu produtor na época. Dele gravou “Pintura sem arte”, em 1981, pela primeira vez. E nos presenteou com este magistral samba. Foi de arrepiar.

Candeia cedeu o palco para Chocolate, que riscou o chão enquanto cortejava a Marrom em “Meu ébano”. Suspiros ele arrancou não só da negona, mas do público feminino que se alvoroçou todo. Sabor de pecado é pouco! Deu calor na Marrom, e em mim também! Nesse mesmo embalo teve “Corpo fechado”, de Telma Tavares, com performance cheia de graça da própria Marrom, e “Eu te procuro”, com Chocolate e Sheila botando pra quebrar!

Foi neste momento que a poção da noite teve uma pitada de gostinho inédito. Quem acompanha a nova novela das oito já pode escutar Alcione dando fundo musical ao núcleo carioca da Lapa. A música de Serginho Miriti é um samba gostoso demais e agitou a galera.

Seguindo o roteiro, Alcione veio reconhecer em público as mulheres que lhe serviram de inspiração e que influenciam sua arte até hoje. Fátima Guedes foi lembrada em “Condenados”, Núbia Lafaiette em “Ontem à noite”, Maria Bethânia em “Atiraste uma pedra”, Elza Soares em “Edmundo” e a jovem e não menos talentosa Maria Rita em “Trajetória”. Simpatia infalível para não perder nunca a esperança de amar.

Durante o show, agradeceu a presença dos amigos, entre eles Zizi Possi, José Possi Neto, Pinah, Edmar Thobias, presidente da Vai Vai e Simoninha. Aliás, para este último ela disse que tinha uma proposta para fazer, e anunciou o convite para um dueto neste próximo disco. Música de Nei Lopes! Alguém duvida que vai ficar lindo?

Cartola também esteve bem representado em “Autonomia” e o show encerrou com um pout-pourri de samba da mais alta qualidade. No bis, “Obrigada”. Mas não acabou por aí!

Se a arte da magia é decifrar a vontade dos deuses, o começo desta história toda já prenunciou o fim. O carinho de toda a produção é dificílimo de retribuir à altura. Claudinha, Penco, Maria Helena, Luiza, Solange. Todos nos receberam tão bem, nos deixando tão à vontade, que deu até para encabular. Até com Vera eu tive o prazer de falar. Ela não estava lá, está de férias, mas Penco ligou para ela e me passou o telefone. Então, nem ela faltou!

Quando entramos no camarim, Alcione queria saber como andavam as coisas no blog. Tudo se encaminhando, Marrom! Sempre bem humorada, fez a gente rir muito, principalmente quando sua amiga de infância, Antonia da Graça, entrou na maior gritaria junto com Maria Helena. Relembraram que elas eram algumas das que faziam o revezamento para acalentar Roberta (mãe do Marão), ainda pequena, para que sua mãe pudesse fazer as coisas em casa! E durante essas recordações, Alcione se lembrou ainda do noivado de Maria Emilia e Simão (pais de Roberta, avós de Marão). E nós acompanhamos tudo do sofá do camarim, que por ironia do destino também era marrom. Tiramos nossas fotos e fomos embora. Ela agradeceu mais uma vez, como sempre. Mas a gente sabe que o que fazemos é ainda pouco para compensar todo o bem que ela nos faz.

Para terminar a noite, eu e Marão caímos no samba. No dia seguinte já estava em casa, e só as fotos para me convencer de que tudo não passou de um sonho. Voltei cansada, mas muito feliz, de alma lavada! A sexta-feira, treze, rendeu.

2 comentários:

  1. Oi, Joelma!

    A minha timidez não me impediu de abordá-la em sua mesa antes de o show começar, mas a minha emoção de rever um show da Marrom e de falar com alguém que como eu a ama, fez com que trocasse até o seu nome. Fiquei tão sem graça que não me atrevi a pedir para posar ao seu lado em uma foto depois disso. Da próxima vez não volto pra casa acompanhado pelo arrependimento. Não fui ao camarim neste e em nenhum outro swow da Marrom. E olha que já vi muitos. Não aguentaria presenciar a epifania da nossa Deusa. Um dia crio coragem e, quem sabe, na companhia de vocês do Blog saio numa foto com a bochecha grudada na dela. As sextas-feiras treze, para mim, nunca mais serão as mesmas.
    Beijos a todos e um especial para você Joelma.

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  2. Fabioooooooooo!
    Adorei tu ter vindo falar comigo! É muito bom a gente saber que faz um trabalho que é importante para outras pessoas também! Que pena que não tiramos a foto! Eu teria o maior prazer! Me adiciona no msn pra gente conversar e se conhecer melhor!
    para.joelma@hotmail.com

    Um beijo grande!

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