Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


22 março, 2009

Show da Marrom na Parada da Lapa, 21.03.2009.

Por Ricardo Erse

O Rio de Janeiro, que acolheu a nossa Marrom, como ela mesma costuma dizer, mais uma vez colaborou com a sua "carioca". O sábado amanheceu quente, mas sem aquele sol que inviabiliza as feijoadas. E ela se apresentaria na Parada da Lapa.

A Rádio FM O Dia promoveu mais uma de suas festas. O encontro seria às 14hs, na Parada da Lapa. Às 13hs, muitas pessoas já entravam para garantir um lugarzinho, já que as festas ali sempre têm lotação garantida. Hoje então!!!!

As pessoas chegavam animadas, compravam suas bebidas, arrumavam os pratos e se abasteciam para ter energia para aguentar o que viria pela frente. Somente às 15hs30min, o Grupo Batuque na Cozinha subiu ao velho vagão de trem que serve de palco para os eventos. Iniciaram com um chorinho e o samba ganhou o seu terreiro. Durante uma hora foi só samba, suor e cerveja.

E mais gente entupia o local. Nenhum lugarzinho. Ou se comia em pé, ou se arranjava um amigo disposto a "emprestar" um lugar. Enquanto a outra atração não chegava, um DJ animava a galera com funks, eternas músicas de Tim Maia e mais samba, é claro.

Segunda parte: às 17hs30mim, a "furiosa" entrou com seus tambores. O Salgueiro, Escola de Samba campeã do carnaval 2009, pedia licença. Os componentes se atulharam entre os convidados para "arrepiar". E vieram os sambas imortais: do Salgueiro, da Mocidade, da boca do povo de outros carnavais e, em homenagem à Marrom, da Mangueira. Mais 45 minutos de pura energia.

Outra vez o DJ atacou. Os fãs da Marrom, inclusive eu, já tomávamos os lugares na beira do palco para garantir o contato com a diva. E dá-lhe funk e samba. Enfim, às 18hs30min, o Grupo Batuque na Cozinha entra novamente ao palco. Afinam os instrumentos, ajeitam o som para receber a esperada do dia. Tocaram mais vinte minutos. Tempo que parecia interminável. O apertamento começava. Todos querendo uma beiradinha perto do vagão. Parecia trem de subúrbio em hora de rush.

Então... "MANGUEIRA TEU CENÁRIO É UMA BELEZA...QUE A NATUREZA CRIOU..." Começava o prefixo que a traria ao palco. E ela entrou justamente na hora: "CHEGOU Ô Ô Ô... A MANGUEIRA CHEGOU Ô Ô". E ela veio dançado de verde e rosa, amparada por Claudinha e Soca, seus fiíes escudeiros.

Sorridente já foi logo arrebentando com "Meu ébano". A galera era um coro só. No gogó e nas palmas. E a negona sorria, com seu melhor sorriso. Era a recompensa pela espera. A primeira frase dela: "Acreditem ou não... eu acabei de chegar do Maranhão." Chegou de lá e, mais uma vez, foi acolhida nos braços desse povo maravilhoso do Rio de Janeiro. E vieram outros sucessos: "Não pense em mim"... "Mangueira é mãe" (com a participação brilhante do Batuque na cozinha)... "Não deixe o samba morrer" (uma oração entoada pela multidão). Marrom então anunciou a gravação do trabalho que deve sair em maio e cantou aquela que, sem dúvida, vai arrasar. Alías, muita gente já sabia e ajudou a acender mais ainda a "Acesa". Para purificar o ambiente vieram as palmas: "Foi aí que vovó saravou... minha vó é show de bola"... Para todos ficarem de "Corpo fechado". Marrom cantou também um pout-pourri de sambas exaltação à Mangueira (aquele do álbum "Faz uma loucura por mim"). Para finalizar, cantou o samba enredo deste ano da Mangueira.

E, uma vez mais, o canto serviu de oração, justificando "É SAMBA, É SUOR... RELIGIÃO... MISTURA DE RAÇAS NUM SÓ CORAÇÃO... UM ELO DE AMOR A NOSSA BANDEIRA... CANTA ESTAÇÃO PRIMEIRA..."

E ela se foi, aclamada e aplaudida, deixando um gostinho de quero mais, por ter ficado apenas trinta minutos com a gente. Do placo mesmo, saiu pela lateral da casa, onde seu carro a esperava.
Até a próxima, Marrom!!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário