Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


24 abril, 2009

"Nair Grande".

“Acesa”, novo álbum de Alcione, vem acender a memória do nosso carnaval, homenageando a baiana mais famosa da Mangueira. Nair dos Santos, a Nair Pequena da Mangueira como era conhecida, foi fundadora da Ala das Cozinheiras, a primeira ala feminina da escola.

No desfile das campeãs de 11 de fevereiro de 1970, em plena avenida, Nair Pequena morreu, enquanto a Estação Primeira cantava "Um Cântico à Natureza", de Ney da Mangueira. “Ela morreu de emoção mesmo, ao ouvir o meu samba-enredo, enquanto desfilávamos. Foi um choque”, diz o compositor do samba. A bateria parou e a escola seguiu até o final com a marcação do surdo, tocando sozinho.

Opondo em sentido seu epíteto para expressar o que de fato Nair representa na história da verde-e-rosa, Telma Tavares passou a caneta e traduziu tudo isso em ''Nair Grande'':

Havia uma nega no pendura-saia
Bambambã do fuzuê
Jogava pernada e rabo de arraia
Com os malandros do dendê
Fazia feitiço no cós da cambraia
Com os pretos do canjere
Batia na lata de banha a alfaia
Lá na lira do prazer

Cadê? Cadê?
Já não posso mais ouvir
Cadê? Cadê? As congadas de Nair?
Ouvi dizer
Nair Grande já chegou
No céu da Mangueira Nair arengueira
Tá com Dona Zica e Angenor

Fazia cabelo e barba com navalha,
Perfumosa como que
Bordava os amantes na barra da saia
E sambava pra gemer
No peito cabiam o amor e a gandaia
Coração de banguelê
Nair da Mangueira, jongueira da laia
Que saudade de você

Cadê? Cadê?
Já não posso mais ouvir
Cadê? Cadê? As congadas de Nair?
Ouvi dizer
Nair Grande já chegou
No céu da Mangueira Nair arengueira
Tá com Dona Zica e Angenor

2 comentários:

  1. Que blog excepcional! Que texto, que resgate da cultura! Tenho um blog em homenagem à Mangueira, onde conto histórias da verde e rosa, e a partir dessa postagem fiz um post em homenagem à essa grande Mangueirense NAIR PEQUENA.

    http://estacaoprimeiradosamba.blogspot.com/

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  2. Sandro!

    Muito gratos pela visita! Seja benvindo sempre!

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