Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


12 maio, 2009

Lançamento público da Campanha pela Lona Alcione, a Marrom.

Moradores da região de Vila Maria, Manguinhos, Jacarezinho e entorno (no RJ), lançaram publicamente neste último sábado (9), a campanha pela lona suburbana, “Lona Cultural Alcione, a Marrom”. Durante o dia, houve apresentação de vários grupos artísticos. A mobilização começou à cerca de 2 meses com um reduzido grupo de representantes destas comunidades, que imbuídos da disposição de pleitear uma lona para região, fizeram a solicitação através da associação de Vila Maria.

A luta dessas comunidades tem como principal foco o desenvolvimento cultural de seus atores, de suas duas escolas de samba (de Jacarezinho e de Manguinhos), de seus artistas e artesãos, bem como de seus jovens, muitos subempregados ou mesmo desempregados.

A construção cultural de um país, de um território e de uma região é fruto de uma série de lutas sociais. No caso específico, originalmente a luta pela moradia, que transformou uma região de mata das décadas de 20 e 30 em uma região que sofreu uma explosão populacional. O crescimento desordenado trouxe negros fugidos de senzalas e quilombos , retirantes nordestinos portugueses de origem humilde e outros tantos retirantes das mais diversas regiões de nosso país, a maioria motivada pela busca de emprego e melhores condições de vida.

Hoje, ao longo dessa história, temos nessa região uma população formada por pessoas de diferentes origens que criaram as raízes de uma cultura popular, ao mesmo tempo em que sofre as influências do que é atual. Exemplo disso, são os garotos que hoje cantam funk e hip-hop nessas comunidades, que lá produzem cultura, sendo ouvidos e envolvidos culturalmente, mas que dificilmente terão chances de inclusão nas grandes rádios.

A luta por uma lona cultural com o nome de uma pessoa como a cantora Alcione sintetiza tudo isso. Retirante nordestina que chegou na cidade do Rio de Janeiro para fazer carreira artística na década de 60, e que se transformou em um dos mais consagrados ícones da cultura nacional, nunca tendo esquecido da região da Mangueira (escola de samba co-irmã das duas escolas da região em cores e história).

Os moradores desta região fazem parte de uma das estatísticas mais cruéis já vistas em nosso país. Compõem um grupo social composto por cerca de 200 mil pessoas, onde cerca de 80% está desempregada e fora do trabalho formal de carteira assinada. Apesar disso, não podem deixar de comer, de se vestir, e, principalmente, de produzir cultura. Pois é a partir dessa cultura, que os situa no mundo e os identifica, que querem dialogar entre si mesmos e com o mundo. Organizar seus pensamentos, suas ansiedades e seus sentimentos em cultura e arte para desconstruir de alguma forma essa sociedade excludente e forjar uma sociedade de todos, com todos e para todos.

Uma luta que não termina em si, mas que traz no seu processo o princípio maior, o fato de estarem unidos e mobilizados por uma qualidade de vida melhor para si mesmos.

Fotos de algumas atividades realizadas no Ato do último sábado:







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