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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


09 setembro, 2009

Alcione curte o bom momento em mais um álbum.


Fonte: Site Divirta-se
Por Janaína Cunha Melo

Ensaio fotográfico do novo CD de Alcione não esconde a satisfação da artista com o atual momento profissional. Acesa, 34º disco de uma carreira que inclui 189 participações em gravações de outros músicos, confirma período especial da vida da sambista. “Sou uma mulher com mais de 60 anos que vivo do meu trabalho, fazendo o que gosto, levando meus sonhos adiante com muita dignidade. Comigo, não tem caô”, diz a cantora maranhense, orgulhosa desta aventura que começou aos 9 anos, quando arriscava as primeiras notas na clarineta, por influência do pai, João Carlos Dias Nazareth.

Há cerca de um ano, Alcione se dedica ao novo projeto, lançado agora pela Sony Music. São 14 canções, sambas e baladas, escolhidas entre mais de 50 composições selecionadas por ela própria e os produtores do disco. Cuidadosa com as inúmeras propostas que lhe chegam, de veteranos e jovens letristas, Alcione escuta e avalia praticamente todas e conta que a hora de definir é a mais difícil. “Quando consigo escolher pelo menos 35, vou para o estúdio, para enxugar o repertório ouvindo o que deu melhor resultado de gravação. Sempre guardo algumas na gaveta, para outra oportunidade, mas geralmente é uma situação penosa ter que optar entre uma e outra”, conta.
Neste processo, que demanda tempo e dedicação, a cantora observa o disco “tomando corpo”, adquirindo a forma que idealizou, até considerá-lo pronto. Atenta ao desafio de chamar a atenção dos mais jovens, sem desagradar aos que a acompanham há anos, ela mescla sonoridades tradicionais com abordagens mais atuais. Dialoga com o pagode do Grupo Revelação em O samba em chamou e convida Wilson Simoninha para acentuar a marcação da black music em Chutando o balde. Alcione também gravou Dama da paixão, do sobrinho Jeferson Júnior. Ressalte-se que nenhum desses encontros compromete a personalidade da cantora, nacionalmente associada aos sambas românticos, com interpretação entusiasmada.

Colaboradores

Cada convidado, aliás, tem lugar de destaque na consideração da artista. Ela elogia o filho de Wilson Simonal, com que dividiu palco anos atrás. “Este foi meu primeiro trabalho com o Simoninha. Ele tem muito suingue, é simpático e se dispôs a fazer esta música comigo, que ficou muito bonita”, comenta. Com o Grupo Revelação, cumpre promessa que havia feito antes do início do projeto. Há tempos tinha vontade de formalizar a parceria, mas precisava encontrar o samba que melhor se adequasse à realidade musical de ambos. “Sabia que ia arrumar o samba certo, e conseguimos”, comemora.

Trabalhar em família também é algo que ela trata com carinho. Alcione lembra que Jeferson Júnior tem participação em discos anteriores, não apenas dela, mas de outros artistas, e que está se aperfeiçoando, primando pela qualidade. “Esse menino toca teclado, violão, faz arranjos. Ele puxou o meu pai. Não está na música por acaso nem porque é meu sobrinho. Ele tem verdadeira paixão pelo que faz.”

Cantora intensa, de voz grave e emocional, Alcione reconhece que a maratona de shows que enfrenta muitas vezes a deixa extenuada. “Às vezes, o cansaço é tão grande que nem o sono recompensa o desgaste.” Por isso, estipula rotina e coloca limites na agenda, além de fazer regularmente massagem antiestresse. “Só coloco meu boné onde a mão pode alcançar”, justifica, com bom humor. O show Acesa, que já passou por Recife, Fortaleza e Porto Alegre, deve chegar a Belo Horizonte ainda este ano.

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