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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!

27 maio, 2010

Entrevista de Alcione para a Revista Veja.


Por Maria Carolina Maia
"Não voto em Serra nem para vereador." É assim, sem pudor de dizer o que pensa, que a cantora Alcione, 62, se espalha em largas roupas negras, em reluzentes babados prateados e em declarações divertidas e agudas. "Senta aí, minha filha", diz, oferecendo à reportagem uma cadeira de seu camarim, pequeno ou pelo próprio tamanho ou pelo volume de pessoas que rodeiam a Marrom, boa parte delas da família - uma irmã é empresária, a outra, backing vocal da sua banda, que conta ainda com dois sobrinhos. Todos eles foram citados no palco do teatro Bradesco, em São Paulo, onde Alcione fez show nesta terça e aproveitou tanto para divulgar o DVD que lança em agosto, no Rio, quanto para criticar Dunga por ter deixado Ronaldinho Gaúcho fora da Seleção. "Seria a última Copa do menino, e ele está jogando muito."

Suas longas unhas, pintadas de preto e pinceladas de listras prateadas, riscam o ar enquanto fala. De futebol, assunto retomado na intimidade do camarim, a pauta passa para política. Depois, é claro, de ela defender o meia-esquerda Roberto Carlos - "Tanta gente já fez besteira, Maradonna já fez gol com a mão, Roberto Carlos é craque e devia ser chamado nem que fosse para ficar no banco de reservas". Alcione gosta de futebol. Mas não gosta quando Copa do Mundo cai em ano de Eleições. "Cada qual com seu cada qual", pondera. "Copa do Mundo mexe com um outro tipo de emoção, a gente se rasga toda, grita. Eleição é uma coisa muito séria."

De rasgar-se, Marrom - por três vezes casada e por três vezes separada - entende. "Sou de escorpião, posso ir fundo nas coisas. Quando é para sofrer, sofro mesmo. Mas dou a volta por cima e renasço das cinzas. A volta tem de ser sempre gloriosa." Ainda no palco, atendendo a pedidos do público, Alcione cantou a romântica A Loba e confessou que se identifica com a canção, feita de versos como "Adoro sua mão atrevida / Seu toque, seu simples olhar / Já me deixa despida / Mas saiba que eu / Não sou boba / Debaixo da pele de gata / Eu escondo uma loba".

Só não concordava com a parte da letra que falava em se distrair de um rompimento com uma nova relação. Marrom gosta de separar bem as coisas. Difícil então entender por que justifica seu voto em Dilma Rousseff dizendo que quer uma mulher na presidência. E Marina Silva? "Gosto de Marina, acho uma mulher valorosa, uma mulher que eu tenho orgulho que exista no Brasil. Mas acho que, se ela não agüentou a pressão no ministério, como vai aguentar pressão na presidência da República? Nesse ponto, acho Dilma mais forte."

Pode ser uma questão de identificação. Se não uma característica pessoal, a força está ao menos presente em sua música, marcada por batidões de samba e uma voz ainda potente. Que o público aplaude. E chama de "linda". E lhe faz declarações de amor. Coisa que poderá ser vista no DVD que Alcione lança em agosto, no Rio. Gravado ao vivo na passagem por São Luís (Maranhão) da turnê de Acesa, seu último disco, o DVD terá shows de lançamento no Vivo Rio, dias 12 e 13 de agosto.

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