Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!

15 janeiro, 2011

A poderosa voz do Brasil em Lisboa!

Por Antônio Wilson Silva de Souza

Em março de 2006, eu morava em Portugal, onde a saudade da Marrom só se extinguia ao ouvir seus Cd’s. Para minha surpresa, nossa musa resolve fazer uma turnê na terra de Camões. Os portugueses se viram agraciados, no Coliseu de Lisboa, com a presença dequela que é, por brasileiros e portugueses, muito querida e apreciada. Eu optei por ficar bem pertinho dela, para captar aquela vibrante energia e sair verdadeiramente revigorado!

Por volta das vinte horas, eis que sobe ao palco, toda vestida de branco, a maior cantora do Brasil, levando alegria e paz ao outro lado do Atlântico. O show foi especial: a Marrom começou saudando a Magueira e, é claro, aplaudida e acompanhada pelo seu público que ali se compunha de brasileiros, africanos (de modo especial angolanos e caboverdianos) e portugueses. O povo português adora Alcione. Tive disso várias provas, a começar pelos artistas lusitanos que estavam presentes no show: o inesquecível Roberto Leal, que encantou a todos no Brasil dos anos 70, com suas canções eivadas da tradição portuguesa reforçada, sobretudo, pelo seu sotaque; a jovem fadista Marisa (elogiada na sua expressão vocal pela própria Alcione) e o apresentador de programa de televisão muito conhecido e amado em Portugal, Herman José, que na noite anterior havia recebido a Marrom em seu programa. Eles ouviram de Alcione: “Obrigado, Senhor, [...] pelo amigo que vai onde estou pra me ver cantar!” Fazendo jus ao que entoa na música, Alcione convidou Roberto Leal ao palco, depois de saudá-lo como um “grande patriota”, fazendo referência à sua incursão no Brasil, difundindo a música lusitana. Roberto Leal, visivelmente emocionado, elogiou a cantora, dizendo que ela era, para usar seu modo lusitano de se expressar, “uma estrela de sempre”, com o que todos concordamos! Os dois cantaram juntos uma canção do repertório de Alcione.


Convidada também pela Marrom a dividir as luzes da ribalta que envolviam nossa diva naquela aura de esplendor e beleza, a cantora Marisa, igualmente tocada pela emoção, cantou com a Marrom. No entanto, ressaiu naquele momento um detalhe que, para nós, é revelador do imenso tempo em que Alcione é querida no Além-mar: Marisa, lado a lado com nossa musa, que a deixou livre para a escolha do que cantaria no magnífico dueto, optou por um exemplar do 4º CD da Marrom. Trata-se da belíssima Profecia, uma letra do grande Candeia. E o CD a que se referiu a fadista é o Alerta Geral, lançado em 1978. Eu tive a felicidade de assistir ao lançamento desse álbum na Bahia (sobre o qual falarei em outro texto), quando eu, ainda criança, levado pela minha mãe, vi pela primeira vez a Marrom que me recebeu no camarim, com demonstrações de um afeto marcante, autografando todos os seus, até então, quatro LP’s.

Na plateia do Coliseu de Lisboa, que estava repleta - sem espaço nem para a introdução de mais um único pensamento! – como de costume nos espetáculos da nossa diva, encontrava-se uma criança, um menininho português de, aproximadamente, sete anos que parecia estar em êxtase ao ritmo das músicas de Alcione, de tal modo que ela – sempre sensível às demonstrações de carinho dos fãs - o convidou ao palco. Levado pelo pai, o pequeno Gonçalo (lembro-me bem do seu nome) acompanhou a Marron na música Você me vira a cabeça. O pai disse que a criança sentia uma indescritível alegria ao ouvir a voz da Marrom, o que o levava a saber de memória grande parte do seu repertório romântico. Contagiante e revelando um clima de grande empolgação, Alcione interrompia por vezes o show para falar da sua relação com Portugal, afirmando que em sua família há raízes portuguesas, o que muito a honrrava. E, como não poderia deixar de ser, cantou um fado, muito bem executado, diga-se de passagem. O repertório do show estava baseado nas canções do espírito romântico da cantora, mas a plateia chegou ao delírio quando a Marrom entouou Meu ébano. Em Portugal, na época, estava sendo veiculada a novela da Globo, Celebridades, de cuja trilha sonora esta música fazia parte.

Pude, ao final do show apertar a mão da Marrom, grande e inesquecível momento para mim, posto que revela o acolhimento que Alcione oferece aos seus fãs. Como é usual, o final de um espetáculo da diva deixa um gostinho de quero mais, uma esperança de retorno, uma vontade imensa de ver de perto aquela que tanto amamos. Pude perceber o quanto Alcione contribui para a difusão da música brasileira em Portugal, mas o mais importante é que o faz com carisma e competência, de maneira que o resultado foi o que comprovei: um grande carinho dos portugueses pela Marrom! É notório o quanto ela transmite o calor dos trópicos nos embalos da sua magnífica voz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário