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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


21 maio, 2011

Entrevista concedia ao Correio da Manhã, jornal português

De passagem por terras lusitanas, Alcione concedeu esta entrevista ao Jornal Correio da Manhã, onde diz que os portugueses aprenderam a gostar dela. confira!

Correio da Manhã - A digressão que apresenta agora em Portugal vai centrar-se apenas no disco ‘Acesa’, ou os fãs podem esperar temas novos?
Alcione – Vou lançar um novo disco em Setembro e sim, vou cantar algumas canções do próximo álbum. Além do ‘Acesa’, vou apostar também nos temas que as pessoas gostam de ouvir. Aliás, o novo disco vai ser um passeio pelos meus 40 anos de carreira. Vou ter convidados e sei que vai dar muito trabalho, mas vai ser uma coisa bonita. Serão essencialmanete músicas ‘lado B’.

Já passou por inúmeros palcos. Que diferença tem o público português?
Levei mais tempo para conquistar os portugueses. Tive de fazer um trabalho de ‘formiguinha’... Hoje, as pessoas já têm cá um certo carinho por mim, porque conhecem a minha trajectória, a minha história. Acho que os portugueses aprenderam a gostar de mim. Já não venho a Portugal tão ansiosa como antes, venho mais em paz. O público é muito exigente e gosta das coisas certas.

O que a faz voltar sempre a Portugal?
É essencialmente a resposta aos espectáculos, que é sempre muito positiva. Experimentei cantar até um fado, à minha maneira, vestida de Alcione e, como cantei com respeito, as pessoas gostaram.

Vai voltar a fazê-lo nestes dois concertos?
Vou cantar ‘Foi Deus’ [de Amália Rodrigues].

A Alcione é uma cantora da música popular brasileira, capaz de ir ao samba carioca de rua até às canções mais eruditas. É assim que quer ser lembrada enquanto artista?
É assim mesmo! O meu novo projecto vai mesmo chamar-se ‘Duas Faces’. Gosto do fundo da história da minha cultura, das raízes do sítio de onde venho. Mas gosto também de reggae, salsa, como posso cantar blues... Música é música. Preciso sempre de senti-la com a mesma emoção.

É esse o segredo da longevidade da sua carreira?
Acho que sim. Nunca fiz um disco linear, é sempre possível encontrar canções românticas como um bom samba ou um bom forró. Talvez seja por isso e também porque vivo do exercício da minha profissão. Gosto mesmo do que faço, o que faz com que não ‘relaxe’...

Ao fim deste tempo todo, o que é que lhe falta ainda fazer?
Sempre digo que é muito chato dizer-se que se está realizado. Quem se sente realizado é porque não tem mais nada para fazer. Tenho sempre uma coisa nova para fazer. Tenho muita vontade de cantar com as orquestras sinfónicas do Brasil. É esse o meu projecto, que não é barato. Vou precisar de bater muito a cabeça para conseguir ver cada cidade a mostrar a sua música. Será uma forma também de trazer o erudito para o popular.

Como é que a Alcione vê a música brasileira de hoje?
A música brasileira tem sempre uma coisa nova. Há músicos incríveis que são mesmo apaixonados pela ideia de se ser músico. Gosto da arte do músico, porque tocar um instrumento não é fácil. São necessários anos de dedicação. Tem muita gente muito boa a aparecer. Há muitos jovens que, por exemplo, estão a formar grupos de ‘chorinho’, que é muito difícil apesar de parecer fácil. A imagem da música brasileira tem melhorado muito. Com nomes como Djavan, Ivan Lins, Milton Nascimento. Antes deles já vinha Vinicius, Tom Jobim, Baden Powell...

Sente-se mais confortável no lado festivo ou no mais romântico da música?
Nos dois lados. Sou festeira, mas sempre gostei muito também do meu lado romântico. Nunca vou poder ser uma coisa só.

O Brasil tem crescido muito, enquanto potência económica. Acha que vai no bom caminho?
Precisávamos crescer e conseguimos com o Presidente Lula. Estamos no bom caminho, até porque a Dilma também é assim. Não nos podemos esquecer dos outros países, principalmente dos africanos. Ou seja, o país está a crescer, mas tem de o fazer com humildade, solidariedade.

O facto do Brasil ter uma mulher, pela primeira vez, como Presidente é um bom sinal?
Sim, a mulher brasileira tem a força. Temos essa capacidade, que foge até à componente mais maternal. A mulher brasileira já tem a fama de ser incorruptível. Isso vê-se até no trânsito... Na Presidência do Brasil tenho a certeza que vamos estar bem representados com Dilma Rousseff. Quero que Deus a ajude, lhe dê muita saúde e lhe coloque a palavra certa na boca. Todas as mulheres têm orgulho dela.

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