Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


22 maio, 2011

Lisboa, 21 de maio de 2011...

Por Edu
Cheguei correndo em casa. Mesmo recém tendo saído do show, vim o caminho todo ouvindo a negona. A emoção ainda corre pelo meu corpo a mil km/h.

Sala cheia, muitas pessoas ainda chegando e ao fundo uma galera entoou o bordão: “Alcione, cadê você, eu vim aqui só pra te ver”. Parece que ela ouviu! As luzes se apagaram, as cortinas se abriram e lá estava ela, majestosa, declamando o poema em homenagem à São Luís do Maranhão.

Em meio a aplausos, a Marrom disparou cantando “De Teresina à São Luis”, para em seguida arrancar suspiros e picardia do público ao cantar as músicas “Mangueira é Mãe”, “Acesa”, “Eu Não Domino Essa Paixão” e “Estranha Loucura.”

Falou do novo trabalho em comemoração aos 40 anos de carreira e de surpresa cantou “Duas Faces” adoravelmente bem, com alma.  Salve a força do escorpião e do profeta!


A plateia estava bem afinada, acompanhando nossa nega sem titubear em músicas como “Nem Morta”, “Retalhos” (linda, linda, linda), “Você Me Vira a Cabeça” e “Depois do Prazer “. Todas essas, cantadas perfeitamente e com emoção ímpar. Não se cansavam de exaltá-la e gritavam: Diva! Linda! Maravilhosa! Perfeita! Até ouvi em alto e bom som: Nossa Loba!


E lá veio a cadeirinha e com ela as palavras doces e sábias da nossa cantora. Aqueles ditados populares, aquelas tiradas gostosas, tudo com muito humor, arrancando altas gargalhadas do público.

Quando ela se levantou foi para delírio de todos: “A Loba”, “Autonomia” e “Não Pense em Mim”. "Influencia do Jazz”... eu não imaginava que ao vivo era mais... brutal. Uma verdadeira dama do samba jazzístico brasileiro. E que gingado meu Deus!

Deixou todos de queixo caído ao cantar um maravilhoso fado, fazendo os lusos levantarem com toda emoção e a aplaudirem com uma força incrível. Mais emoção em “Amor ao Oficio/Não Dá Mais Pra Segurar”.

Eu e muitos outros levantamo-nos de nossos assentos e nos pusemos a sambar. Sambei e cantei com vigor “Meu Ébano”, “Gostoso Veneno” e “Não Deixe o Samba Morrer”. Marrom ainda homenageou os nossos irmãos angolanos, cabo-verdianos e moçambicanos. Agradeceu ao público mais uma vez e não deixou de expressar toda essa gratidão ao cantar “Obrigada”.

A alegria que contagiava a gente era tanta que depois que ela deixou o palco, todos permaneceram ali, pedindo um “bis”. Ela nos atendeu com todo carinho. Cantou o gostoso samba que fala do “Mengo”, clube dos nossos corações. Por fim, se despediu com a toada “A Despedida” .

Deixa de imediato a saudade em meu coração. A emoção, a felicidade de ser presenteado com aquela voz toma conta de mim. Agradeci a Deus com muita fé e profetizei que ainda irei a muitos shows da nossa negona, seja aqui em Portugal, no Brasil ou em outra qualquer parte desse mundo.

Um comentário:

  1. Amiga obrigado pela atenção e carinho.
    Beijos especiais
    Edu

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