Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


06 junho, 2011

Alcione e suas contribuições culturais

A iniciação de Alcione com a cultura popular, podemos dizer, vem de berço. Nascida em uma família numerosa, cujo chefe, como costumava chamar seu pai João Carlos, era mestre da banda da Polícia Militar de São Luís, professor de música, compositor e eterno apaixonado pelo bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Foi ele quem lhe despertou o espírito festeiro e solidário. Ao deixar a Terra da Encantaria, como é conhecido o Maranhão, Alcione veio para o Rio de Janeiro tentar a carreira artística.

Um de seus primeiros grandes sucessos, a música - o Surdo - não por acaso, é também o principal símbolo daquela que seria a escola de samba de seu coração, a Estação Primeira de Mangueira. Além de seu legado musical, a Marrom tem deixado importantes contribuições para a cidade do Rio de Janeiro, onde fundou o Pagodão, bloco que fez grande sucesso no Carnaval carioca. Seus agitos culturais não pararam por aí. A ela, podemos atribuir o crescimento do que podemos considerar um dos maiores meios de transmissão de nossa identidade cultural: as escolas de samba mirins, com a fundação da Mangueira do Amanhã, sob a bênção de Tio Jair, Dona Zica e Dona Neuma. Escola, que enquanto esteve sob sua batuta, não se restringia apenas à prática do samba, era também um espaço de convivência, de orientação pedagógica, de práticas preventivas de saúde e solidariedade.

Aos que desfrutam de seu convívio, sabem que materializar sonhos também faz parte de suas vicissitudes. Foi ela quem fez surgir nas comunidades o baile das debutantes, oportunizando às meninas da Mangueira ter um dia de cinderela. Esta era, sem dúvida, uma das festas mais bonitas do calendário social da Verde e Rosa. Tão grande quanto seu potencial como cantora, uma das maiores de nosso país, é seu coração. Esta semana, conversando com a Marrom sobre o papel social e político das escolas de samba, ela apresentou seu mais novo projeto - a criação da Ala de Direitos Humanos, que pretende criar na Estação Primeira de Mangueira para o próximo Carnaval. Para ela "a escola de samba nunca foi só um meio de diversão, e sim um meio de divulgação da cultura de nosso país e agora, mais ainda, deve abrir espaço para o exercício pleno da cidadania do nosso povo".

Vamos torcer, vamos acompanhar.

Por Nilcemar Nogueira, Site SRZD

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