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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


18 outubro, 2011

Alcione em entrevista ao Jornal O Fluminense, fala do novo projeto Duas Faces e das duas músicas votadas pelo Fã Clube Morena Forrozera

Fonte: O Fluminense
O apelido surgiu durante uma viagem de Kombi ao Nordeste ao lado da dupla de atores cômicos Ludugero e Otrope. Ela ainda não tinha nenhum disco gravado e cantava músicas de Núbia Lafayette para Otrope lembrar da sua mulher. O artista dizia “Marrom canta uma música para a minha Marrom”. E o apelido ficou conhecido por todo o País. Desde lá, já são muitos anos de estrada e uma nova turnê pela frente.

O espetáculo é resultado do primeiro produto do selo Marrom Music, distribuído pela Biscoito Fino. O projeto foi dividido em dois CDs e DVDs ao vivo: Duas Faces – Jam Session, gravados na casa da maranhense, e Duas Faces – Ao Vivo na Mangueira, gravado na quadra da escola carioca. O primeiro, contou com participações de Maria Bethânia, Emílio Santiago, Lenine, Djavan, Martinho da Vila e Áurea Martins. Marrom gravou canções internacionais como Estate, Comme il disent e Passione. Entre as nacionais, Sem Mais Adeus, Capim, 40 anos, Ilha de Maré, Evolução e Pela Rua.

No segundo trabalho, Alcione comparece ao lado de Leci Brandão, Jorge Aragão, Diogo Nogueira, MV Bill e Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila. A abertura do espetáculo foi feita pela Orquestra de Violinos do Centro Cultural Cartola regida pela maestrina Noemi Uzeda e formada por adolescentes da região. O encerramento ficou por conta da Bateria da Estação Primeira. No repertório, regravações como Meu Ébano, Basta de Clamares Inocência, Tem dendê/Figa Guiné, Entidade, Na Mesma Proporção, Poder da Criação, Cajueiro Velho, entre outras. A seguir, Alcione fala com exclusividade e uma simpatia indefectível sobre seus 40 anos de trajetória.

Como é comemorar 40 anos de trajetória com o show “Duas Faces”? É muita responsabilidade. É claro que 40 anos de carreira não cabem dentro de dois CDs e DVDs como estou fazendo. Mas eu quis fazer um apanhado das músicas que as pessoas gostam de escutar. Coloquei meu fã clube para fazer um concurso dentro do blog. As músicas que eles me pediram foram Medo e Metade de Mim. Coloquei o lado B de alguns discos que sei que não tocou nas rádios. Tem músicas que gostaria de cantar como Rua Sem Sol. Enfim, fiz essa mescla, convidei meus amigos, que fazem parte desses meus 40 anos como Emílio Santiago, Djavan, Áurea Martins, Leci Brandão, Maria Bethânia. Eu tinha que fazer isso nos meus 40 anos.

E você dividiu o trabalho em dois CDs e DVDs... Um se chama Jam Session, que é mais acústico. Foi feito aqui em casa. E o outro foi para dar de cara com o povo, com a banda toda, na quadra da Mangueira. Foi muito lindo. Teve participação de Diodo Nogueira, Jorge Aragão, MV Bill e Maíra, filha de Martinho.

Todos esses artistas convidados marcaram a sua vida e são seus amigos... Todos. Só tem um que nós não temos história na minha carreira. Temos é uma história de amizade e de profundo reconhecimento que tenho pelo talento de Lenine. E aqui em casa todo mundo pediu e é louco por ele. Eu também achava que tinha que ter, falei com ele e ele topou.

Sempre que pode, você faz questão de homenagear a sua Mangueira. O que o samba e a Mangueira representam em sua vida? Eu devo muito ao samba. Ele praticamente construiu minha vida. Eu já era apaixonada pela Mangueira antes de vir para o Rio de Janeiro. Depois que conheci a Mangueira, me apaixonei pelas pessoas da Mangueira, pela comunidade. Eu exerci durante 16 anos um trabalho lá dentro que foi a Mangueira do Amanhã. Sou muito voluntária também. Hoje a maioria dos meninos que começaram comigo fazem parte da Estação Primeira. E continua Mangueira do Amanhã sob a direção de Tidinha, que é a nova presidente. Me orgulho muito de ter trabalhado nesses projetos. Não me conformava de chegar só na Mangueira para desfilar. Achava que tinha que fazer alguma coisa e fiz. A Mangueira é paixão. Sempre digo que meu sangue tem duas cores: verde e rosa.

Se tivesse que destacar o momento mais marcante de sua carreira, qual seria? Tive vários momentos marcantes. Um deles foi quando fui cantar em Israel e pude passear em Jerusalém. Foi muito emocionante. Também cantei na época da Cortina de Ferro. Fiz 26 shows na União Soviética. Foi a pedido do Ministério da Cultura de lá. Foi o povo brasileiro que mora lá que votou e pediu minha presença. Foi muito importante para mim essa viagem. O carnaval que nós ganhamos em 84 na Mangueira, Yes, nós temos Braguinha, marcou muito a minha vida. Nós fomos e voltamos na avenida. O que marcou minha vida também foram os meus discos de ouro. Ganhei 29 discos de ouro ao longo da minha carreira. Tenho cinco disco de platina, 300 troféus, tenho o Grammy Latino também. Essas coisas todas vão pontuando a carreira e obriga a gente a ter mais compromisso.

Você já fez turnês por vários países do mundo. Teve algum que mais te encantou? Foi maravilhosa a minha estada no Japão. O Japão me encantou e me encanta até hoje pela organização. As pessoas que nos levaram também eram muito organizadas. Nós fizemos 12 shows no Japão com as casas todas lotadas. Fiquei 30 dias lá. Eles nos receberam com um carinho muito grande. Japonês adora dar presente. Conheci escolas de samba. Tem uma casa, a Praça Onze, que só toca músicas brasileiras. O Japão foi uma grata surpresa para mim. Nunca vou esquecer essa viagem.

Tem carinho por algum disco em especial que já lançou? Por quê? Não consigo falar de um. Posso até citar. O disco que fiz homenageando Clara Nunes que se chama Claridade, eu gosto muito. Também gosto muito de Gostoso Veneno. Todo ele foi sucesso. E tem o disco E vamos à luta, que gravei uma música de Gonzaguinha. Todos eles foram muito marcantes para mim. Mas esses dois desse projeto dos 40 anos vão me marcar e marcar muito o meu público.

A música popular brasileira tem grandes ícones como você e a Clara Nunes, que também foi sua amiga. Como é para você ter convivido com uma grande estrela da música? Clara era uma pessoa que tinha um senso de humor muito grande. Eu ria muito com ela e ela gostava de mim verdadeiramente. Sempre gostei muito dela. Minha família era louca por ela. Quando ela ia lá em casa para se maquiar, era uma festa. Quando eu ia comer na casa dela, a irmã dela fazia uma galinha muito da boa. E ela era tipo uma protetora minha. Ela me protegia muito. Eu tinha ela como uma irmãzona. A perda de Claridade foi um golpe muito grande. Mas Deus sabe quem ele quer levar.

Jair Rodrigues também foi muito importante para você e sua carreira... Jair foi quem me apresentou ao disco. Ele me apresentou ao Menescal e foi quando gravei meu primeiro disco.

O seu pai, João Carlos Dias Nazareth, foi mestre da banda da Polícia Militar de São Luís e professor de música. Ele foi a sua primeira inspiração musical? Meu pai foi com certeza. Gostava muito de ver meu pai escrevendo arranjos. Ele tinha uma escrita musical muito bonita. Eu comecei a imitar, mas não sabia ler música. Tive que estudar e aprendi também a cantar as notas. Descobri que queria cantar. Mas meu pai queria que eu fosse só musicista, não queria que eu fosse cantora. Ele achava que essa coisa de ser cantora era uma vida muito difícil e nenhum pai quer uma vida difícil para o filho. Mas meu pai tinha muita confiança em mim. E eu vim para o Rio seguir o meu destino. Estou aqui até hoje e sempre fui motivo de orgulho para ele.

Qual lembrança mais viva tem da sua infância ou adolescência no Maranhão? Lembro que era uma época muito travessa. Tinha um muro que meus irmãos sempre empinavam papagaio e aqui o pessoal chama de pipa e eu também subia o muro com todo mundo. Mas quando um espião gritava “lá vem João Carlos”, a gente descia correndo. Até hoje olho para o muro e não sei como conseguia descer correr. Criança não tem juízo.

Passou por algum momento difícil na carreira? Pensou em desistir da profissão? Eu nunca pensei em desistir. Muito pelo contrário. Dificuldade só me faz é ir para frente. Tive algumas perdas como do meu pai, da minha mãe, de Clara Nunes, Dona Jovelina, Seu Cartola. São pessoas que quando vão, levam pedaços da gente. Tive problemas de discriminação racial no começo de carreira. Não deixaram eu entrar num clube para tocar. Mas sempre bati o pé. Não fico calada e não deixo por menos nada. A vida ensina a gente a se preparar.

Em 1992, foi escolhida pela ONU como um dos símbolos internacionais na luta contra o Apartheid. Você sofreu muitos preconceitos ao longo de sua carreira? Isso para mim é uma honra. Meus gritos não vão só para isso. Vão também para a violência contra a mulher, contra crianças, idosos. Detesto injustiça contra idosos. E agora a violência contra a mulher está ficando uma coisa triste. Parece que resolveram matar a roda.

Um comentário:

  1. Olá flor passando pra conhece seu blog , e adorei tudo vc esta de parabéns estou seguindo vou adora ter vc no meu blog beijos flor

    http://rosanadicasfemininas.blogspot.com/

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