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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


28 dezembro, 2011

Elymar canta Marrom


Infelizmente, o mercado fonográfico da música popular é, na maioria das vezes, bastante óbvio, com uma enxurrada de DVDs de registros de shows de artistas sem bagagem, com poucos trabalhos autorais em estúdio. Mas há exceções nesse universo, e um deles responde pelo nome de Elymar Santos, que acaba de lançar uma homenagem a uma cantora que tanto admira: a veterana maranhense Alcione.

“Elymar Canta Marrom” (EMI) traz 24 canções que já estiveram no repertório da famosa sambista, também conhecida como “Marrom” – que, aliás, está comemorando 40 anos de trajetória artística.

O artista optou por fugir das armadilhas do mercado, focando em “lados B” dos discos de Alcione e arranjos diferenciados para os sucessos, além de não inserir, no álbum, os hits que lhe fizeram famoso, como “Taras e Manias” ou ‘Escancarando de Vez”.

Se alguma faixa ameaçasse parecer óbvia, Elymar a transformava. No sucesso “Estranha loucura”, por exemplo, o cantor é acompanhado apenas pelo violão de Marcel Powell, filho do mestre Baden Powell.

Já “Faz uma loucura por mim” foi transformado num dramático tango. “Meu primeiro critério foi eliminar, da listas, os hits, pois queria que o repertório soasse inédito ao meu público. Também procurei me desvincular das músicas que parecessem femininas demais, como "Meu Ébano" e "A Loba”, diz ele.

“Mas essas músicas que fui tirando do repertório foram me encaminhando para outras maravilhas, e descobri um filão que serviria tanto para uma voz feminina quanto masculina”, explica Elymar. O desejo de homenagear Alcione em um DVD não veio apenas da admiração pela intérprete, mas também da plena identificação.

Segundo o cantor, foi com a “Marrom” que aprendeu a se tornar um artista eclético. “Ela me ensinou a não ter preconceito ao cantar romântico, forró, samba. Foi uma festa passear pelo repertório dela”, diz.

“Quem é Você”, “Autonomia”, “O Que eu Faço Amanhã?” (que foi transformado em um bolero), “Além da Cama” e “Você Me Vira a Cabeça” são algumas das composições tiradas dos mais de 30 discos lançados por Alcione ao longo de quatro décadas.

Único parênteses na ideia de retomar as músicas cantadas pela artista está na faixa “Imperatriz Leopoldinense”, em que Elymar homenageia a sua escola de samba de coração junto da bateria da Mangueira, a escola amada pela cantora maranhense.

Mesmo sendo amigo da homenageada, Elymar Santos conta que ficou nervoso até o último momento, com medo de que ela não gostasse do resultado.

“Quando tive a ideia, liguei para a Alcione e ela achou legal, deu sinal verde. Mesmo assim, fiquei muito preocupado, pensando que ela poderia estar sendo apenas elegante. Depois, nos vimos em uma festa e eu perguntei novamente se ela estava achando legal a minha proposta.

Ela respondeu: Claro, meu irmão, essa é a maior homenagem que um colega pode fazer a um artista. Fico grilado porque nossas canções são como filhos, mesmo que tenham sido feitas por outros compositores”, revela o cantor, admitindo que o nervosismo diminuiu quando viu a Marrom no camarim, pronta para subir ao palco na gravação no Vivo Rio.

Na verdade, a tensão só vai acabar mesmo quando o cantor receber um telefonema de Alcione, depois que ela assistir ao disco audiovisual – o que não tinha acontecido até o fechamento desta edição. “O mais incrível é que o DVD ficou pronto no dia do aniversário dela (21 de novembro). Separei o primeiro para o meu altar de casa e o segundo, levei de presente na casa dela”.

Elymar acredita que esse projeto tem “tudo para dar certo”, porque está recheado de músicas que seriam de fácil identificação. “Tem que tomar cuidado para não cair na mesmice. Tenho a preocupação de não ficar repetitivo. Aqui há novidade porque há músicas que soam novas, pois estão sendo interpretadas de um jeito bem diferente”, diz o cantor. Elymar Santos acrescenta que não deve apresentar o show dedicado à Marrom novamente.

“Vou inserir nos shows umas dez músicas do projeto e interpretar os meus sucessos. Afinal de contas , não posso deixar de lado aquele fã que foi ouvir Taras e Manias”, finaliza o intérprete.

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