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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


22 dezembro, 2011

Mais uma bela crítica sobre o "Jam Session", por Felipe Branco Cruz /Agência Estado

As longas unhas pintadas de preto com detalhes em dourado envolvem o microfone e tomam por completo a capa de Duas Faces - Jam Session, mas são suficientes para entregar que o trabalho é da maranhense Alcione. Lançados recentemente pela Biscoito Fino, CD e DVD trazem uma seleção de músicas “lado B” que a cantora adora interpretar. Se ela não exibe seu rosto na capa, mostra, em dobro, suas facetas como artista. “Com esse trabalho eu queria mostrar minhas duas faces: a da intérprete, e a outra, do povão, que vive na Mangueira”, diz a cantora, que irá desfilar pela escola de samba verde e rosa no carnaval do Rio em 2012, e também pela Beija-Flor, que vai homenagear os 400 anos do Maranhão, terra natal de Alcione.

A ideia da capa veio da cantora, que considera as unhas produzidas sua marca registrada. “Essa foi a primeira vez que lancei um disco sem meu rosto na capa”, conta Alcione, que admite ser muito vaidosa quando o assunto são suas unhas. “Eu sempre gostei de unhas assim, mas elas não são naturais. São feitas com um gel de silicone, que é projetado sobre as unhas, e as deixa do tamanho que eu quiser.”

O álbum também marca as comemorações dos 40 anos de carreira da Marrom, celebrados este ano, e dos 65 anos de vida da cantora, que serão completados em 2012. Neste trabalho, com pegada intimista, ela recebeu em sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, convidados para jam sessions. Há participações especiais como as de Maria Bethânia, Emílio Santiago, Djavan, Lenine e Martinho da Vila. “Costumo encontrar amigos para fazer saraus na minha casa”, conta Alcione. “Então, por que não gravar um DVD com esses encontros?”. Em janeiro, a cantora lança a segunda parte do projeto, batizado com o mesmo nome, mas gravado ao vivo na quadra da Mangueira. Lá, eu mostro a minha outra face, brinca.

No repertório, Marrom interpreta samba, samba de roda, samba-canção, mas também bolero, chanson francesa, jazz, blues, bossa nova e forró. Ou seja, faz uma grande mistura de tudo aquilo que mais lhe agrada, sem se apegar a gêneros. “São músicas que já cantei na noite”, define ela, sem mais. Uma delas é 40 anos, composição de Altay Veloso e Paulo César Feital, sobre a ditadura militar. Segundo Alcione, algo que tem muito a ver com sua vida. “É uma canção política muito forte. Faz parte da nossa triste história”, diz ela, que é acompanhada nos vocais por Emílio Santiago. “Foi uma escolha natural.”

Dona de um bom humor inabalável, Alcione inaugurou, em outubro, as participações especiais do humorístico Zorra Total (Globo), no quadro Metrô Zorra Brasil, das personagens Valéria e Janete “Sou muito fã delas. E minha parte foi só cantar.” A voz peculiar a torna alvo comum de imitadores. Mas Alcione não se abala. “Levo numa boa. Quando uma pessoa te imita, é porque ela te admira. Adoro a que a Fafy Siqueira faz”, diverte-se. “Já vi muitos transformistas na noite me imitando. É tão igual que às vezes me pergunto se não sou eu ali.”

Recentemente, a cantora fez uma longa participação no “Domingão do Faustão”, quando lembrou os tempos em que apresentou, na emissora, o musical Alerta Geral (de 1979 a 1981). “Dava muito trabalho. E meu negócio é música. Gosto de participar dos programas dos amigos, e está muito bom”, resume ela, que não perde uma piada, mesmo que envolva uma de suas lutas antigas - como contra a balança, já que faz dieta com frequência. “Não quero emagrecer para ficar gostosona. É uma questão de saúde”, diz. O regime envolve chá de hortelã pela manhã e vinagre de maçã na salada do almoço. Mas quando chega o fim de semana, ela não resiste. “Caio no churrasco e na feijoada!”.

É informal o clima do álbum Duas Faces - Jam Session, que Alcione lança em DVD e CD. A seleção das músicas não é óbvia, mas é bastante criteriosa. Marrom conta que a escolha do repertório foi feita de forma natural a partir das canções que ela interpretava no início da carreira ou aquelas que gravou no lado B de seus LPs. A ideia, segundo ela, é celebrar seus 40 anos de carreira e, para isso, nada melhor do que receber em casa os amigos para uma jam session.

Do repertório, vale destacar Duas Faces, que abre o disco. “Foi minha irmã que sugeriu colocar essa música”, diz a cantora. A letra versa sobre as duas faces de um artista. Ou seja, exatamente aquilo que Alcione quer com este trabalho. Mas Marrom canta também em francês, na música Comme Ils Disent, de Charles Aznavour, e em italiano, na Passione Eterna, de Enzo Di Domenico, Aurelio Fierro e Vittorio Annona.

Composições de Vinicius de Morais, Dolores Duran e Altay Veloso também estão no disco. O destaque, claro, fica para as participações especiais. A maioria dos convidados são amigos pessoais, como Emílio Santiago. Mas há aqueles que Alcione admira, como Lenine, que canta com ela a música Evolução, de José Cavalcante de Albuquerque.

De seu lado B pessoal, gravou Ilha de Maré. Na música, Alcione conta com a participação do sambista Martinho da Vila, que recita trechos da música Roda Ciranda, de sua autoria.

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