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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


01 dezembro, 2011

Matéria do Jornal Extra, 29.11.2011: Ícone popular, Alcione desfila sofisticação no DVD de 40 anos de carreira e revela ao EXTRA suas muitas caras

Porta-voz oficial da dor de cotovelo popular, Alcione quis mostrar (para quem ainda não sabia) que também é um luxo. No novo DVD "Jam session", do projeto "Duas faces", em comemoração aos seus 40 anos de carreira, ela arrastou os móveis de sua sala para cantar com Maria Bethânia, Martinho da Vila, Djavan, Emílio Santiago e Lenine, entre outros. Ao lado deles, entoou canções do lado B de seus discos e, sozinha, interpretou em bons francês, italiano e espanhol clássicos mundiais de Charles Aznavour, Mario Merola e Armando Manzanero, respectivamente.

— Falo francês, italiano, espanhol. Só falo mal inglês, por isso escolhi músicas que sempre quis cantar alto para todo mundo ouvir. Eu canto dores de amor em todas as línguas — diz ela, que também teve uma motivação especial para escolher cada convidado do DVD: — Adoro receber meus amigos em casa. A Bethânia, por exemplo, foi a primeira artista que me chamou para gravar. Emílio e Auréa Martins foram meus colegas da noite. E o Lenine foi uma solicitação da minha família. Ele é uma graça, um gênio!

Se a porção jazzística de Alcione está bem representada no primeiro álbum, o lado sambista ficou para o segundo DVD, gravado na quadra da Mangueira, previsto para ser lançado em janeiro do ano que vem. Nele, a Marrom divide o palco com Leci Brandão, Diogo Nogueira, MV Bill e a bateria da Verde-e-Rosa.

Popular na Mangueira
E, no próximo dia 10, a cantora volta ao Palácio do Samba (a quadra da Mangueira) para apresentar seu novo show.

— Só peço a Deus que me permita cantar e pular muito carnaval com a Mangueira. O álbum foi uma forma de retribuir o carinho que recebo da comunidade de lá — diz Alcione, que, a convite do EXTRA, revelou outras dualidades pessoais (leia abaixo).

Fé x descrença
"Eu já tive provas de que existe um ser supremo. Há uns 20 anos, perdi minha voz e fui operada pelo Dr. Fritz (entidade espiritual que incorpora em médiuns para fazer curas). Eu tinha um edema do tamanho de uma cabeça de alfinete nas cordas vocais. Na época, fui operada pelo Dr. Edson Queiroz, mas hoje quem recebe o Dr. Fritz é o médium Francisco Monteiro, de Minas Gerais. Trabalho até hoje com ele, porque sinto que tenho uma dívida (Alcione promove reuniões mensais, com a presença de um médium em sua casa). Não creio em superstições, mas não falo da fé dos outros".

Sofisticação x simplicidade
"Sou sofisticada no paladar. Adoro comida japonesa e italiana, como o restaurante Quadrifoglio, no Jardim Botânico. E também sou simples, porque amo feijão com arroz. Deve ser muito chato ser chique o tempo todo".

Paixão x desprezo
"Sou apaixonada por festas, como de São João. E desprezo a homofobia desses bandidos zés-ruelas que ficam atrás dos gays".

Realização x frustração
"É o máximo viver da minha música. Mas sinto por não saber dançar. Tinha tanta vontade de ser jogada para cima como as meninas na dança de salão".

Sonho x fracasso
"Quero cantar meus sucessos acompanhada por uma orquestra sinfônica. E não penso em derrota: sinto que aquilo que não era para ser meu, que deixei de ganhar, não de perder".

Alegria x Tristeza
"Você tem que ver a festa que faço ao encontrar minha família no Maranhão ou aqui (no Rio). Mas fico triste e passo mal ao ver gente batendo em idoso e criança. Se encontro uma criatura dessas pego pelo pescoço que só um Carvalhão me tira de cima".

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