Sejam Bem-vindos


Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


16 março, 2012

Existe muita coisa para se falar sobre Alcione

Eu sou fã, sim. Mas também sou brasileira. Assim como tenho orgulho do meu país, às vezes também tenho vergonha. É aquilo... Cada vez mais, menos. A televisão mais emburrecedora, a música mais baixo nível. O povo, menos culto, menos crítico. Parece o caos e a esperança da gente por pouco não se desfaz. Pensando nisso, e pensando nos meus amigos Bruno Castro e Renan Rodrigues e tantos outros que esta semana se entristeceram, resolvi deixar neste humilde espaço algumas sugestões de pautas quando o assunto for Alcione. Desculpem-nos a pretensão, mas estão aí, em caso de esgotarem-se os temas e a criatividade aflorar... tem muita, mas MUITA coisa imprtante pra se falar.



Alcione: Educação e Cultura, compromisso social
A ela, podemos atribuir o crescimento do que podemos considerar um dos maiores meios de transmissão de nossa identidade cultural: as escolas de samba mirins, com a fundação da Mangueira do Amanhã, escola que, enquanto esteve sob sua batuta, não se restringia apenas à prática do samba, era também um espaço de convivência, de orientação pedagógica, de práticas preventivas de saúde e solidariedade. Para ela "a escola de samba nunca foi só um meio de diversão, e sim um meio de divulgação da cultura de nosso país e agora, mais ainda, deve abrir espaço para o exercício pleno da cidadania do nosso povo".


Alcione: o segredo do sucesso atravessando gerações
Não há como negar. Muita coisa mudou no Brasil nestas últimas décadas. Foi longe o tempo em que podíamos ligar o rádio e ter o privilégio de escutar um Caetano Veloso, um Chico Buarque, uma Maria Bethânea, uma Gal, Elba, Zizi Possi, Alcione... eu era criança nos anos 80 e lembro disso com nostalgia. Hoje, o que era a Música Popular Brasileira, grifa-se “popular”, deixou de sê-lo para tornar-se elitista. Poucos são os que tem acesso à música de qualidade. E nesta mudança de ares, todos estes ótimos representantes da arte brasileira ficaram restritos. Alcione não. Alcione é estratégica. Em 40 anos de carreira sempre esteve lá na frente, acompanhando as mudanças, se reinventando, burlando, aderindo, mas sem perder seu requinte, sem desmerecer suas origens, sem perder o compromisso com a música de qualidade. E graças a ela, por intermédio dela, que sabe ir onde o povo está, ainda eles, nós, podemos rever, e a nova geração ser apresentada a estes grandes ícones da MPB.


Alcione: a voz da mulher brasileira
Foi Clara Nunes que quebrou o tabu de que mulher não vendia disco, chegando à 300 mil cópias, um marco na época. Alcione, que ao lado de Beth Carvalho e da precursora já citada, formaram o ABC do samba, veio na esteira. Naquela época, achavam que cantor negro só podia cantar samba. Com Não Deixe o Samba Morrer (1975), Sufoco (1978), Gostoso Veneno (1979) e Garoto Maroto (1986), transformou-se numa das maiores vendedoras de discos do Brasil e conquistou o direito de poder conduzir seu próprio repertório. Quando gravou Pode Esperar (1978), mostrou que também poderia cantar músicas românticas e fazer sucesso. Foi aí que tornou-se a voz da mulher brasileira, cantando sua alma, seus desejos, suas dores e também seus direitos. Em 2007, gravou Maria da Penha. A juíza Andréia Pachá considera a lei um marco na história da luta contra a violência doméstica, segundo ela: " A Lei Maria da Penha foi um passo importante para enfrentar violência contra mulheres [...]"


Alcione, muito de Brasil para o mundo
Mesmo antes de alcançar a fama, Alcione já soltava seus gorjeios pelo mundo afora. Realizou em 1969 uma turnê de quatro meses pela América Latina e em 1970, dois anos cantando na Europa, principalmente na Itália, para regressar ao seu país e tornar-se a Marrom do Brasil.

Em 1973, Alcione se apresentou no México, no Teatro do Hotel Santa Isabel. Em 1974, participou do "Festival da Canção Portuguesa". Em 1983, cantou em 13 teatros no Japão, entre eles o Pit Inn e o Nakanu Plaza Hotel, divulgando seu trabalho “Almas e Corações”. Até hoje, reverenciada pelo povo japonês.

Em 1985, cantou no Festival Domênica Romana na Itália. Em 1988 realizou temporada de 28 shows na União Soviética, cantando em estádios e teatros como: Moscou, Leningrado, Kiev, Tallinn e Vilnius. Também cantou no Festival de Montreux, na Suíça.

Em 1991, foi escolhida para cantar a saudação ao papa João Paulo II na missa e que ele ministrou em São Luís. Em 1992, foi escolhida pela ONU como um dos símbolos internacionais na luta contra o Apartheid e excursionou pela primeira vez pelos Estados Unidos. No ano de 2003, a cantora foi agraciada com Grammy Latino na categoria de melhor Álbum de samba.

Em 40 anos de carreira, fez turnês pelos Estados Unidos, Europa, Japão, América Central, América Latina e África. Recentemente esteve na Itália e em Angola. Reverenciada pelo mundo, muitos já disseram que se fosse americana, seria uma das maiores cantoras do mundo. Mas Alcione sempre volta. É, acima de tudo, brasileira e tem orgulho disso. Nós também nos orgulhamos de você.

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