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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


25 outubro, 2012

Alcione reúne artistas para o lançamento da Casa do Músico

São famosos os jantares na casa de Alcione. E foi num desses eventos regados a comida maranhense, na última terça-feira, que a cantora apresentou o projeto Casa do Músico (veja mais no boxe ao lado) e aproveitou para homenagear uma presença ilustre no País: o percussionista Paulinho da Costa, amigo da Marrom e que fez carreira no exterior, trabalhando com artistas importantes dos mais diversos gêneros, de Madonna a Michael Jackson, passando por gênios do jazz como Dizzy Gillespie e Miles Davis.

 “Nos conhecemos no início da década de 70, tocávamos numa boate em Copacabana. Até que veio o projeto de irmos para a Europa, passar um ano fazendo shows. Eu ia ficar só um ano, acabei passando dois”, lembra Alcione. A primeira parada da turnê, porém, foi o Irã. “Uma lembrança que eu tenho é que ele se aborreceu de verdade comigo quando fomos ao Irã para fazer um show. Ele é todo certinho e o contratante falou que a gente não podia sair do hotel. Eu perguntei: ‘Não pode sair por quê?’ Ele respondeu: ‘Não pode sair e ponto’ e aquilo mexeu comigo. Aí que eu saí mesmo. E quando voltei a polícia tinha prendido o dono do hotel”, diverte-se a cantora. Ela voltou ao Brasil, mas Paulinho ficou morando em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde participou de discos que marcaram a história da música. “Fui fazendo trabalhos importantes, foi acontecendo um boca a boca e fui ficando. Virou uma bola de neve”, conta ele. Entre os grandes nomes que constam do extenso currículo do percussionista, destaque para Michael Jackson, com quem Paulinho tocou diversas vezes.

 O primeiro trabalho dele com o Rei do Pop foi ainda na época do grupo The Jacksons, no disco ‘Shake Your Body' (Down to the Ground), em 1978. E aí não parou mais, tendo participado dos míticos ‘Off the Wall’ (1979) e ‘Thriller’ (1982), entre outros. Na música ‘We Are The World’, do tributo ‘USA For África’, parceria de Michael e Lionel Richie, lá está Paulinho. “Toquei em 45 músicas com Michael Jackson”, orgulha-se. Se a lista de artistas com quem Paulinho gravou é tão longa (e repleta de nomes importantíssimos), os trabalhos solo, no entanto, são apenas quatro, lançados por gravadoras americanas de jazz como Pablo Records e A&M Records. O último foi ‘Breakdown’ (1987). Mas deve surgir um novo CD por aí. Quando lançar o próximo, pretendo que saia aqui no Brasil também. Se houver interesse, vamos lançar”, avisa Paulinho.

Considerado um dos melhores percussionistas pela revista de jazz ‘Downbeat’, Paulinho não é chamado de virtuose à toa: ele toca cerca de 70 instrumentos de percussão. “A razão pela qual eu vivo nos Estados Unidos, e porquê eu trabalho muito, é devido às raizes brasileiras da minha música”, acredita o artista, que admite ser mais reconhecido fora do Brasil do que no País. “Acho que, por estar há tanto tempo no exterior, meu reconhecimento é maior lá fora”, arrisca. Em sua casa, ele tem uma sala com troféus, prêmios e discos de ouro e platina, como o que recebeu por ‘Thriller’.

Foto: Divulgação

A mais nova aquisição é um pandeiro presenteado por Alcione, com as assinaturas dos músicos presentes na noite de terça. “Ela sabe que foi um dos primeiros instrumentos de percussão que eu toquei. Até hoje é um instrumento-base no meu trabalho. Ela me deu para relembrar os tempos em que trabalhamos juntos”, conta ele — que, apesar disso, não participou de nenhum disco da Alcione: eles só se apresentaram juntos ao vivo.

Aos 64 anos, casado há 42 com Arícia, com quem tem dois filhos já adultos, ele não tem planos de voltar a viver no Brasil. “A família está toda por lá”, diz. “Não venho tanto quanto eu gostaria porque não tenho tempo, com os negócios lá (em Los Angeles). Mas foi bom que conseguimos vir agora, a passeio”, comemora.




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