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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


18 junho, 2013

'Eterna alegria' reconecta Alcione ao samba com elegância e inspiração

Abaixo, bela crítica de Mauro Ferreira, publicado em seu blog Notas Musicais.
Resenha de CD
Título: Eterna alegria
Artista: Alcione
Gravadora: Marrom Music / Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

Eterna alegria, 38º álbum de Alcione, cumpre todas as expectativas geradas pela edição em single digital do radiante samba que dá título ao CD e que evoca os pagodes à moda carioca do Cacique de Ramos, Eterna alegria (Júlio Alves, Ramirez, Carlos Jr. e Alex Almeida). Trata-se de um dos melhores discos da Marrom, um trabalho no mesmo nível dos álbuns gravados pela cantora maranhense nos anos 70 e 80. A coesão do repertório salta aos ouvidos. Até os sambas mais dolentes de tonalidade romântica são de bom nível, caso de Direitos iguais (Sereno e André Renato). Eterna alegria é o disco que Alcione devia aos seus fãs antigos, mas não somente por representar uma volta ao samba, do qual a Marrom - verdade seja dita - nunca se afastou, mesmo que tenha feito discos pautados por salutar diversidade rítmica. O upgrade é na qualidade do repertório. Alcione gravou músicas aquém de sua voz singular na irregular fase da Indie Records, ao longo dos anos 2000. Eterna alegria reconecta a Marrom às cores vivas de sua discografia na gravadora RCA / BMG-Ariola. A produção de Jorge Cardoso valoriza esse bom repertório com arranjos de time que destaca os maestros Ivan Paulo, Julinho Teixeira e Paulo Calasans, arranjador de Sem palavras, grande samba em que os parceiros Francis Hime e Thiago Amud incubem o samba de desvelar o amor ausente no sereno da madrugada. No mesmo alto nível, o samba Por ser mulher lembra que Jorge Aragão é inspirado melodista e poeta. Sem jamais sair do tom, Eterna alegria alterna temas contagiantes - caso do samba-rock Produto brasileiro (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Brasil do Quintal), faixa-exaltação do samba - com temas mais introspectivos como a magoada balada Pontos finais, parceria de Ana Carolina com Chiara Civello e Dudu Falcão, e como o sambalada Sentença (Serginho Meriti, Claudemir e Ricardo Moraes) que culmina em interpretação cheia de soul. A anunciada primeira parceria de Djavan com Zeca Pagodinho, Êh, êh, é outro desses momentos mais melancólicos. Embora não se revele à altura do histórico dos compositores, o samba tem elegância refinada que transparece à medida em que é ouvido sucessivas vezes. Não diz a que veio de cara, como o animado Bate palma aê (Paulinho Carvalho e Cacá Franklin), mas é bom. A dona sou eu (Paulinho Resende e Nenéo) se situa na seara dos sambas mais vivazes. É samba ambientado em clima de gafieira que evoca a estrutura melódica e rítmica de Meu ébano, tema dos mesmos compositores, gravado por Alcione no álbum Uma nova paixão (2005). Assim como A dona sou eu, o sambão Difícil de aturar (Max Viana, Arlindo Cruz e Fred Camacho) e o pagode à moda do Cacique Conversa fiada (Júlio Alves, Carlos Jr., Ramirez e Alex Almeida) - dos mesmos autores do contagiante Eterna alegria - traçam o perfil da mulher decidida e de temperamento forte encarnada por Alcione em seus temas românticos, em sagaz link que reforça a personalidade artística da cantora. Já Ogum chorou que chorou (Arlindo Cruz) é ótimo samba de temática e tom afro-brasileiro enquanto Chapéu de couro (Papete e Manuel Pacífico a partir de temas de domínio público) transporta o disco para o Maranhão, terra natal da intérprete, com direito à citação de Ê baiana (Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio), sucesso da imortal Clara Nunes (1942 - 1982) em 1971. Por fim, um inspirado Altay Veloso celebra o encanto do canto em cena em Magia do palco, tema que encerra oficialmente o disco, já que o digno sambalada Amor surreal (Michael Sullivan, Carlos Colla e Miguel Plopschi) - gravado por Alcione em 2012 para a trilha sonora da novela Salve Jorge (TV Globo) - foi alocado como faixa-bônus de Eterna alegria, disco belo e pulsante à altura da voz e da importância da Marrom na música do Brasil. 

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