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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


09 agosto, 2013

Sambista Alcione faz show em Floripa nesta sexta-feira

Por Celina Keppeler - Clic RBS 

Ela atendeu ao telefone como se uma velha conhecida estivesse do outro lado da linha. Com a voz grave - sua marca registrada - já soltou uma "alô, colega" amistoso. A cantora não se incomodou com a ligação fora de hora e, despachada como toda boa maranhense, falou sobre sua vida, carreira e projetos.

Em meia hora de conversa, mostrou que é uma cantora de sucesso, uma mulher vaidosa, apaixonada pela música, preocupada com o seu público e engajada em projetos sociais. Enfim, não precisou de muito para Alcione mostrar que é, sim, uma diva do samba!

Depois de 40 anos de estrada, sua alegria para subir aos palcos, seu santuário, só aumenta. Foi essa energia e paixão pela música que tornaram Alcione um dos grandes nomes do samba. E é esse tesão pela sua arte que a cantora colocou em seu novo álbum, Eterna Alegria.

Ela saiu do Maranhão para tentar seguir a carreira no Rio de Janeiro. Mas, seguindo à risca as ordens do pai militar, só o fez após se formar e trabalhar como professora primária por dois anos. E foi o pai, que fazia parte da banda da Polícia Militar de São Luiz, quem a introduziu à música.

Alcione começou cantando na noite carioca, depois de vencer alguns concursos, conseguiu seu primeiro contrato profissional com a TV Excelsior, onde passou a se apresentar no programa Sendas do Sucesso. Em 1972, depois de dois anos na Europa, gravou, pela Polygram (agora Universal), seu primeiro compacto. E este seria o início de uma brilhante carreira musical.















































Um pouco de Alcione Seguidora da doutrina espírita, Alcione tem seu tempo e atenção bem distribuídos entre os palcos e a caridade. A cantora se dedica a obras sociais e trabalhos no Lar de Frei Luiz, um centro de atendimento e estudos espíritas, e nos projetos Mangueira do Amanhã, uma escola de samba mirim fundada pela cantora, e Arte Mangueira, todos no Rio de Janeiro.

— Uma coisa que acredito é que sem caridade não há salvação — afirmou.

Outra característica forte da Marrom é seu estilo e personalidade na hora de subir ao palco. Vaidosa assumida, ela não abre mão da escolha de seu figurino, apesar de contar com uma ajudinha de seu personal stylist. Mas confessa, em casa, nada de grandes produções.

— Quando estou em casa, gosto de pegar meu vestido mais velhinho e não passo nenhuma pintura, que é pra ficar o mais confortável possível.

::: Projeto In Concert 360º :::
No projeto In Concert 360º o público assiste ao show sentado, em mesas e cadeiras numeradas que são dispostas em torno de um palco central. O objetivo é aproximar o público do artista, em um ambiente intimista e exclusivo, com estrutura inédita.

O palco central, com visão panorâmica, permite uma visão privilegiada da plateia em qualquer ângulo e proporciona uma experiência única e inesquecível.

::: Serviço :::

>> O que: Alcione, Eterna Alegria.
>> Quando: sexta-feira, 9/8, às 21h.
>> Onde: Devassa on Stage.
>> Vendas online: www.blueticket.com.br.
>> Mais informações: (48) 48 3282-1669 / www.devassaonstage.com.br.


::: Entrevista :::

Hora de Santa Catarina — São 40 anos na estrada. Durante esse tempo, muita coisa se passou, muitas emoções foram vividas. Teve algum momento que você considere um divisor de águas na sua carreira?
Alcione —
Tem um momento que eu considero como divisor de águas, mas foi na minha vida. Foi quando eu quase perdi a voz, quando eu fiz 15 anos de carreira. E eu curei a minha voz na espiritualidade, onde também encontrei muitas respostas. Mas quero deixar bem claro que adoro o Papa Francisco e que não deixei de ir à igreja e nem o catolicismo de lado.

Hora — Você é formada como professora primária, trabalhou como balconista de loja e, agora, tem uma longa carreira de sucesso como cantora. Foi isso que você planejou pra sua vida ou as coisas simplesmente aconteceram? E se Alcione não fosse a cantora que é, você já imaginou quem ela teria sido?
Alcione —
Ser cantora era a minha maior vontade e foi o que Deus quis. Se eu não fosse cantora, também não seria professora. Porque pra ser professor tem que ser quase um sacerdote, e eu não nasci com vocação para o sacerdócio. Eu seria dona de restaurante, porque adoro cozinhar. Sou imbatível no arroz com cuchá e torta de caranguejo. Aliás, quero até trazer umas tainhas aí de Florianópolis.

Hora — Qual a sensação ao ouvir história de fãs que a têm como trilha sonora de suas vidas?
Alcione —
Eu tenho muita responsabilidade com o que eu canto, porque a minha música tem a ver com a vida de muita gente. As pessoas se veem através das canções. E quando eu sei que isso acontece, me dá a sensação de dever cumprido. Porque a minha meta é unir as pessoas, e quando elas têm amor no coração, isso fica mais fácil.

Hora — Esse novo trabalho, Eterna Alegria, está carregado com sambas alegres e dançantes. Mas a Marrom também marcou muito pelos sambas apaixonados, como este último sucesso que está na boca do povo, Amor Surreal. Qual a diferença na hora de interpretar um e outro?
Alcione —
Em qualquer um desses sambas, a energia do palco me pega. Quando eu interpreto as músicas, eu assumo o que estou cantando. Porque a letra primeiro vem na alma, pra depois chegar à boca. E isso me pega no palco que, pra mim, é um grande santuário.

Hora — Na capa do seu novo CD, suas unhas estão bem em evidência, e você declarou no Jô Soares que deu bastante trabalho para fazer. Na ocasião, você falou também sobre sua coleção de esmaltes. Você é uma mulher muito vaidosa? Tem algum ritual de beleza antes de subir no palco ou no dia a dia?
Alcione —
No dia a dia eu não tenho essa preocupação. Eu gosto de pegar meu vestido mais confortável, não gosto de ficar com pintura nenhuma. Mas pra subir no palco eu tenho que estar bem arrumada. Gosto de unha comprida, cabelo arrumado, roupa bonita, eu gosto de estar bonita para o meu público. Eu tenho personal stylist, mas quem diz o que eu vou vestir sou eu.

Hora — Já ficou claro que as borboletas têm um significado especial para você, que são sinônimo de boa sorte e boas notícias. Quem foram as borboletas da sua vida?
Alcione —
Minha borboleta maior foi minha mãe. Antes de morrer, minha mãe dizia "quando sonharem comigo, joguem na borboleta". E na minha carreira eu tive várias borboletas, como o Jair Rodrigues, que me deu a notícia de que eu tinha uma gravadora, Maria Bethânia, que me entregou meu primeiro disco de ouro e a primeira cantora que me convidou pra participar de um disco dela. Teve o Flávio Cavalcanti, que me deu a oportunidade de cantar no programa dele e na casa dele. Enfim, foram muitas pessoas que me ajudaram. Sou muito grata a Deus por isso.

Hora — O que o público catarinense pode esperar da sua apresentação no próximo dia 9, em Florianópolis?
Alcione —
Esse meu novo disco é diferente dos outros, recheado de samba, muita dançante, porque foi uma inspiração diferente que me deu. E eu prometo fazer uma grande festa não só com as músicas do novo CD, mas com todos os outros sucessos da minha carreira.

::: O que está no repertório :::

Eterna alegria: "Minha eterna alegria é o gosto dos sambas de quadra. E essa música diz exatamente o que eu quero: estar no sangue do povo".

Magia do Palco: "Essa música eu escolhi para homenagear meu amigo e irmão Emílio Santiago no show. Uma música de Altair Veloso que fala do fato da pessoa querer ser uma estrela. Que fala do contato com Deus".

Por ser mulher: "Foi meu poeta, Jorge Aragão, que quando ele mete a caneta é pra falar coisas lindas pra mulher. Aragão é um homem muito dengoso e essa música é a cara dele".

Bate Palma aê: "É a história de um filho que vai à luta pra alcançar seus sonhos. É uma música alegre e muito bonita". Produto Brasileiro: "O melhor produto brasileiro é o samba. E esse samba rock vai botar todo mundo pra dançar".

Êh, êh: "É a primeira parceria de Zeca Pagodinho com Djavan. Quando eles ligaram falando que tinha um samba elegante pra mim, eu até me espantei e disse que queria ouvir toda essa elegância".

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