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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


07 janeiro, 2016

A malfadada crítica à Alcione – As falas das bocas sem línguas

O texto a seguir é uma contribuição do fã Luiz Calixto Sander



Domingo passado, dia 03/01/2016, a cantora Alcione esteve no programa do Faustão, quando o apresentador pediu que cantasse algo “fora do que faz comumente”. A cantora, então, interpretou uma canção chamada “Someone like you”, gravada pela cantora britânica Adele, sendo alvo de vários elogios mas, também, de várias “críticas”. Ponho a palavra crítica entre aspas, porque para tecê-la se deve, minimamente, ter cultura e/ou conhecimento sobre o objeto criticado.

Alcione, para aqueles que acham que entendem de música e podem tecer sobre o tema algum comentário, é uma cantora que, primeiramente, possui 45 anos de uma carreira sólida. Eu digo sólida! Alcione não é uma cantora “pólvora” (que explode e some)! São 45 anos de carreira! Começou-a, ainda para quem não sabe, ao lado de Djavan, Emílio Santiago, entre outros mitos da música brasileira.

Alcione é uma das poucas ou, talvez a única cantora brasileira, que teve uma música composta para si, sobre si, quando assistida por um poeta: Waly Salomão. A música? "A voz de uma pessoa vitoriosa".

Maria Betânia, uma das maiores cantoras brasileiras, exigiu gravar com Alcione a canção “O Meu Amor”, composta por Chico Buarque, mesmo o seu produtor sendo contra porque entendia, à época, que havia uma divisão entre samba e MPB e Alcione estaria, assim, em “campo musical diverso” de Betânia.

Esta mesma Maria Betânia afirmou com muita propriedade que Alcione possui o que classificou como “uma voz única no mundo”, considerando o seu timbre e a sua ‘área de voz’ únicos. Ela usou esta palavra: ÚNICA. Gravaram muitas coisas juntas...

Alcione, portanto, é uma cantora que merece respeito tanto daqueles que entendem do que falam e, portanto, podem criticar com causa; quanto daqueles que nada sabem sobre nada, não possuem nenhum conhecimento de música, mas insistem em “opinar errado”.

Alcione interpretou a canção lindamente, com a sua forma de interpretar, com as suas divisões próprias, sem imitar a intérprete original. Deste modo, por uma questão mais que óbvia, é impossível comparação, pelo simples fato de não ter existido imitação. Não se compara o que não se tem pretensão de ser igual.

Aliás, quem compara o que Alcione interpreta demonstra um mais alto grau de ignorância musical, pelo fato da cantora ser uma das poucas que possui, em sua marcante voz, sua própria assinatura; a sua própria personalidade. Quem escuta Alcione, sabe que é Alcione.

Alcione interpretou inúmeras outras canções em inglês, como Overjoyed, Beyond The Sea, I Will Survive, entre inúmeras outras. Cantou a música "Estate", em Italiano, lindamente.

Para um único show que fez todo em francês, contratou uma professora para aprender a correta pronúncia (em que pese já ter cantado e gravado no idioma) e melhorar a sua dicção. Isto é a demonstração do mais alto grau de respeito e comprometimento com o seu público que pode ter um profissional com 45 anos de carreira!

O fato de alguém não gostar da Alcione, ou gostar absurdamente de Adele, ou não gostar de sua interpretação para "Juízo Final" (música que abre a novela das 21hs), ou achar que a música “Someone like you” ficou melhor interpretada pela Adele, não dá o direito de tecer comentários (porque não são críticas já que para ser crítico é necessária a existência de cultura sobre o tema) maldosos, errados, sem nenhum fundamento e, até certo ponto agressivos, sobre uma mulher que existe em concomitância com a história musical deste país!

Erros? Qualquer cantor comete, inclusive Gal Costa, tida como a mais afinada das afinadas. Interpretando uma canção de Noel (Feitio de Oração), termina por desafinar por falha da sua voz. A voz é algo natural, humano; a voz falha! Os melhores e maiores cantores erram. Os melhores e maiores músicos falham. Não é o caso de Alcione interpretando a canção. Aqui serve somente como exemplo de que a falha, por melhor e mais perfeccionista que seja o profissional, pode ocorrer.

Foram, pois, além de desagregados de uma realidade, incultos, ignorantes, exasperadores, maldosos, errôneos e, porque não, asquerosos, o que muitos sites e jornais chamaram de “crítica” de uma parte do público, os comentários feitos a respeito de Alcione, a eterna Marrom, em sua participação no programa do Fausto Silva, no primeiro domingo de 2016.

São de se derrogar pessoas que fazem e cometem este tipo de violência. Nada contrário é de esperar de um país onde a educação é a que se apresenta e mais, onde o que chamam de música, hoje em dia, é tão maltratada pelos “cantores” pólvoras com as suas parvas canções! Lamentável!

Alcione, Marrom, como queira ser alcunhada: Você é uma das maiores cantoras do mundo e haverá de nascer alguém que chegue perto do que você fez e faz com o que interpreta! A sua voz é um dom divinal e, como você mesma já disse, você não a comprou “numa prateleira de supermercado”. Salve Alcione! Salve a Marrom!

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