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Quem a ouve não esquece... Voz exuberante e inconfundível à serviço da alma, refletindo a entrega de quem não teme se doar por inteiro. O poder e a sensualidade da voz negra que tinge a aquarela da música brasileira de marrom, com todo o suingue, brilhantismo e carisma de quem tem certeza que não está aqui por acaso. Vinte e oito discos de ouro e oito de platina, sendo dois deles de platina duplo. Inúmeros prêmios da MPB: Sharp de Música, Caras, Globo de Ouro, Rádio Globo, o Antena de Ouro, Tim, entre outros. Além desses, prêmios de grande vulto internacional como O Pensador de Marfim (concedido pelo Governo de Angola), Personalidade Negra das Artes (concedido pelo Conselho Internacional de Mulheres) e A Voz da América Latina (concedido pela ONU). Este blog é dedicado à cantora mais popular do Brasil. Filha do nosso chão, orgulho nosso. Uma mulher, uma negra, uma nordestina, uma brasileira guerreira: Alcione, a Marrom!


13 janeiro, 2016

O rapper gay brasileiro que é fã da Marrom e quebra tabus rimando

Fonte: Portal Vermelho

Morador da periferia de São Paulo, sem pai e criado pela mãe e o irmão. A história de vida de Jefferson Ricardo Silva se confunde com a de muitos que cresceram com ele nos anos 90 em Taboão da Serra. Fã de rap e pagode, sonhava com os palcos na adolescência. Ter nascido negro, pobre e gay não parecia exatamente uma vantagem até o dia em que decidiu usar a seu favor cada rótulo que recebeu. Em 2015, o agora Rico Dalasam lança Modo Diverso, o primeiro disco de rap brasileiro com temática gay.

A cena de rap “queer” já é realidade nos Estados Unidos há alguns anos, onde nomes como Le1f, Cakes Da Killa e Zebra Katz escandalizam o gueto misturando pose de gangster com trejeitos de diva pop. Mykki Blanco, o nome da vez, reveza a cara de marra com peruca, batom e salto alto.

Dalasam pega mais leve. Seu primeiro clipe, Aceite-C, exibe um relacionamento lésbico e o verso “boy, eu quero ser seu man”.

Dalasam, hoje com 25 anos, começou a trabalhar como cabeleireiro aos 13, sua forma de fazer dinheiro e escapar da “vida loka”. “Minha especialidade é cabelo de preto: trança, dread. Ainda atendo lá em casa.”

Articulado, estudou boa parte da vida em escola particular bancada pela bolsa de estudos conseguida pela mãe. Em um colégio alemão, o único negro da turma era o suspeito número um nos dias em que a borracha de alguém desaparecia.

Assim que começou a trabalhar, passou a frequentar com assiduidade a Galeria do Rock, no centro da capital paulista, onde comprava CDs pirata de rap. Depois corria com os discos para a única casa com computador na comunidade e “fazia várias cópias pra galera”, diverte-se. Depois, enfurnava-se na casa do amigo Luciano da Costa para rabiscar suas letras. As primeiras foram românticas, inspiradas pelo rapper Xis.

No meio da adolescência, iniciou um namoro com uma garota, mas “não deu”. Com o tempo se assumiu, estudou moda, trabalhou com produção e se viu imerso em baladas gay do centro e shows de rap na periferia. “Seria natural que eu refletisse esses dois mundos. Minha música é esse encontro de protesto, autoafirmação e dança.”

Sobre o amor gay pelas divas, Dasalam se diverte: “é lógico que eu gosto da Beyoncé, mas hoje eu prefiro a Rihanna. Ela é mais favela, que nem a gente.” Sua preferida, no entanto, é brasileira. “Alcione é a maior das divas.” No rap, o ídolo é o carioca MC Marechal.

Aos que o alertam sobre o risco de se lançar como o primeiro rapper gay do Brasil, Dalasam desdenha. “É 2015, é claro que vai ter rapper gay. Estamos é atrasado. Ainda vai aparecer uma travesti do Pará fazendo um flow que todo mundo vai ouvir.”

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